Trabalhadores do Paraná recebem liberdade provisória após seis meses

Por Comunicação MST/PR

Após seis meses de lutas, o MST no Paraná vive uma grande vitória, pois nessa quarta-feira (17), a Juíza de Quedas do Iguaçu, Ana Paula Menon, revogou a prisão preventiva e concedeu a liberdade provisória aos sete presos políticos do MST que se encontravam encarcerados nas penitenciarias de Cascavel e Laranjeiras do Sul.
Desde novembro de 2016, os sete camponeses do MST se encontravam presos por uma ação truculenta da polícia, batizada de “Castra”, onde o principal objetivo era criminalizar lideranças dos Acampamentos Dom Tomás Balduíno e Herdeiros da Luta pela Terra.
“É uma vitória importante porque prova e é reconhecido que as prisões eram ilegítimas, e não tem nenhuma prova nos autos do processo que criminalizem nossos companheiros. Realmente a operação foi um carnaval produzido pela imprensa na tentativa de nos criminalizar”, disse Diego Moreira, da Coordenação Nacional do MST.
Durante os meses se encontraram presos, uma campanha de solidariedade foi lançada, pois se entende que as prisões não passam de uma escalada de repressão contra os movimentos sociais do campo.

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Entenda o caso

Desde maio de 2014, aproximadamente três mil famílias acampadas ocupam áreas griladas pela empresa Araupel. Essas áreas foram griladas e por isso declaradas pela Justiça Federal terras públicas, pertencentes à União, que devem ser destinadas à Reforma Agrária.
A empresa Araupel que se constitui em um poderoso império econômico e político, utilizando da grilagem de terras públicas, do uso constante da violência contra trabalhadores rurais e posseiros, muitas vezes atua em conluio com o aparato policial civil e militar.
Essa ação faz parte da continuidade do processo histórico de perseguição e violência que o MST vem sofrendo em vários estados e no Paraná. No dia 7 de abril de 2016, nas terras griladas pela Araupel, as famílias organizadas no Acampamento Dom Tomas Balduíno foram vítimas de uma emboscada realizada pela Polícia Militar e por seguranças contratados pela Araupel.
No ataque, onde foram disparados mais de 120 tiros, ocorreu a execução de Vilmar Bordim e Leonir Orback, e inúmeros feridos a bala. Nesse mesmo latifúndio, em 1997, pistoleiros da Araupel assassinaram em outra embosca dois trabalhadores Sem Terra. Ambos os casos permanecem impunes.
“O processo continua, mas agora, com os companheiros em liberdade, achamos que temos mais condições para avançar no processo de liberdade e inocência definitiva de todos”, ressaltou Moreira.

 

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