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MST é contra a criminalização da atuação do Instituto Federal Catarinense – Campus Abelardo Luz

O Movimento dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais Sem Terra vem a público esclarecer que o ocorrido na manhã desta quarta feira (16) é parte de uma ofensiva do Estado em negar o direito à educação aos povos do campo. Ministério Público e Polícia Federal promoveram uma ação de apreensão de instrumentos de trabalho dos servidores públicos Maicon Fontanive e Ricardo Velho, solicitam o afastamento do mesmo de suas funções no Instituto Federal Catarinense – Campus Avançado Abelardo Luz/SC, além de quebrar o sigilo destes e da reitora Sonia Regina.

Há no Brasil somente duas unidades de Institutos Federais localizadas em áreas de Reforma Agrária. Desde o início da implementação do campus em Abelardo Luz foram inúmeras denúncias infundadas, que foram parte de uma ofensiva que visa retirar o IFC do meio rural. Neste mesmo sentido, nas últimas décadas milhares de escolas do campo tem sido fechadas, demonstrando a negação ao direito a educação dos trabalhadores e trabalhadoras no campo e a estratégia de inviabilizar a vida no campo.

Um dos argumentos das denúncias é que o Instituto Federal Catarinense – Campus de Abelardo Luz fica a 30km de distância da cidade, dificultando o acesso ao mesmo. Olhado de outro ponto de vista, esse argumento corrobora com a denúncia feita pelo Movimento Sem Terra há décadas: as instituições públicas regularmente ficam longe dos moradores da zona rural, que tem os mesmos direitos de acesso aos serviços públicos.

O Movimento Sem Terra, ao longo de sua história, luta junto com outros movimentos pela educação do campo. E construiu em parceria com estes movimentos e instituições de ensino superior diversos cursos de formação, desde o nível de alfabetização até pós-graduação. As parcerias sempre respeitaram a autonomia das instituições, e formaram mais milhares de pessoas. A atuação do Ministério Público, em relação ao referido campus, configura-se como mais um caso de perseguição ideológica e criminalização da construção de processos em parceria com movimentos sociais e organizações sociais em geral. Visivelmente é parte da estratégia que vem sendo construído pela Escola Sem Partido, que está dentro de uma lógica inconstitucional de inibição da pluralidade de ideias no espaço escolar.

O MST segue a luta pela reforma agrária, pelo direito de viver no campo e da educação do campo. E se solidariza com os educadores e educadoras do campus, que visam construir, nas dificuldades de uma escola do campo, uma educação de qualidade historicamente negada a essa população.

Educação do Campo: Direito nosso, dever do estado!

 

(Aos que desejarem manifestar seu apoio segue o endereço da petição pública:https://secure.avaaz.org/po/petition/Ministerio_Publico_Federal_e_Justica_Federal_subsecao_Chapec_Em_defesa_do_IFCAbelardo_Luz_servidores_Ricardo_Velho_e_Mai/?cwdNkmb )

Psicanalista Pertti Simula lança livro na Feira do Livro de Nova Santa Rita

Por Letícia Stasiak
Da Página do MST

Na próxima sexta-feira, dia 18 de agosto, a partir das 17 horas, o psicanalista finlandês Pertti Simula fará o lançamento do livro “Transformação das relações humanas e cooperação” na Feira do Livro de Nova Santa Rita, na região Metropolitana de Porto Alegre, no Rio Grande do Sul.

O ato será realizado na Praça da Bíblia, no Centro da cidade, com a participação de autoridades e lideranças, representantes de escolas do campo e de cooperativas do MST – Cooperativa de Produção Agropecuária Nova Santa Rita (Coopan), Cooperativa dos Trabalhadores Assentados da Região de Porto Alegre (Cootap) e Cooperativa de Trabalho em Serviços Técnicos (Coptec). Acontecerá também uma roda de conversa e sessão de autógrafos.

O livro, publicado pela Editora Expressão Popular, com 272 páginas, já foi lançado nos estados da Paraíba e São Paulo. Ainda terá lançamento na cidade de Guararema (SP) e Laranjeiras do Sul (PR) e também nos países da Suécia, Finlândia e Portugal. Seu principal intuito, conforme o autor, é despertar o desenvolvimento humano, melhorar as relações e cooperação nos coletivos do MST e contribuir para a transformação das relações de igualdade e solidariedade.

Simula é Mestre de Ciências pela Universidade de Helsinki, vive e atua há 40 anos entre o Brasil e a Europa. Ele começou a trabalhar com o MST no estado do Paraná em 1999, para acompanhamento de uma cooperativa em crise. Logo após vieram outras demandas e o autor resolveu aceitar. “Senti que o trabalho era muito desafiante e gratificante e os ideias correspondiam com o meu sonho”, explica.

No Brasil ele trabalha com nove cooperativas, duas escolas, três institutos de formação, uma universidade e um curso de cooperativismo na parceria MST, Fundação Mundukide e Instituto Conscientia.

SERVIÇO:
O quê? Lançamento do livro do psicanalista Pertti Simula.
Quando? Dia 18/08/17, às 17 horas.
Onde? Feira do Livro de Nova Santa Rita (palco principal da Praça da Bíblia).

MST chega a capital paranaense em busca de negociação coletiva com Incra

Por: Comunicação MST/PR

Na manhã desta terça-feira (15/08), chegaram à capital paranaense cerca de 300 camponeses Sem Terra, em busca de uma negociação coletiva junto ao Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), para solicitar avanços nos processos de Reforma Agrária que estão parados no estado.

São camponeses acampados e assentados nas regiões norte e oeste, e vem cobrar agilidade nas áreas ocupadas, e também melhorias para o desenvolvimento dos assentamentos.

“O objetivo nosso é tentar ver com o superintendente os processos que estão em andamento, e o porquê dessa morosidade toda. Se nós não ocupar o INCRA eles não dão uma satisfação para nós”, disse o assentado Valter Mendes.

Os Sem Terra pedem audiência com a superintendência para possíveis soluções e avanços nas legalizações agrárias e também assistência técnica.

O processo de negociação coletiva é uma proposta do movimento para a prática ordenada do processo, onde os acampados e assentados apresentam suas pautas.

Os camponeses pretendem ficar em Curitiba até o término das negociações serem atendidas, e ser analisados coletivamente.



						
						
						
		

MST desocupa área da CEEE após audiências de conciliação no Rio Grande do Sul

Por Catiana de Medeiros
Da Página do MST

Depois de quase nove meses de ocupação e três audiências de conciliação no Ministério Público Federal (MPF), o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) desocupou na última sexta-feira (11) o Horto Florestal Carola, da Companhia Estadual de Distribuição de Energia Elétrica (CEEE), localizado em Charqueadas, na região Metropolitana de Porto Alegre, no Rio Grande do Sul.

O lugar era utilizado para fabricação de postes de madeira e foi ocupado pela terceira vez dia 14 de novembro de 2016, por cerca de 500 famílias do MST. O objetivo era pressionar para cumprimento de Termo de Compromisso, assinado em 2014 pela CEEE e pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), para transformar a área, de 1080 hectares, em assentamento.

Conforme o documento, a CEEE teria que retirar a vegetação e os tocos de árvores do local, onde também haviam embalagens cheias e com resíduos de Arseniato de Cobre Cromatado – produto tóxico que era utilizado na Usina de Preservação de Madeira, que deixou de funcionar em 2013 –, para que o Incra adquirisse a área. À época, a empresa e o Instituto tinham 60 dias para cumprir o compromisso, porém, o prazo não foi respeitado.

Com a terceira ocupação, o processo tramitou na Comarca de Charqueadas, mas o caso foi remetido em janeiro deste ano para a Justiça Federal, após intervenção do MST e do Incra para declínio de competência. Desde então foram realizadas três audiências de conciliação na 9ª Vara Federal de Porto Alegre, que possui competência exclusivamente ambiental, agrária e residual.

Acordos

A última audiência foi realizada dia 13 de julho pela juíza federal substituta Clarides Rahmeier. Ficou acordado que a CEEE cumprirá um cronograma para investigar se há contaminação em parte do horto por produtos tóxicos que utilizava no tratamento dos postes de madeira. Se comprovada a contaminação, a Companhia terá que fazer a recuperação ambiental. O prazo para investigação vence em dezembro de 2018. A CEEE também se comprometeu a ofertar outras áreas ao Incra para criar assentamentos.

Já as famílias do MST concordaram em desocupar o Horto Florestal Carola em até 30 dias, a contar a partir da data desta última audiência, para dar agilidade ao cumprimento dos acordos estabelecidos na justiça. Por sua vez, o Incra reafirma que ainda tem interesse em adquirir a área para destiná-la à reforma agrária.

Comissão de acompanhamento

Segundo Aida Teixeira, da coordenação do acampamento, as famílias acampadas organizarão uma comissão de acompanhamento do cronograma estabelecido à CEEE. Ela destaca que, caso o acordo não seja cumprido, o MST vai requerer uma nova audiência na justiça e não descarta a possibilidade de reocupar a área. “Nós não estamos nenhum pouco contentes. O primeiro acordo feito em 2014 foi ignorado pela Companhia e o Incra. Agora, estamos cumprindo novamente a nossa parte, de desocupar, mas exigimos que os outros envolvidos também assumam de fato os seus compromissos. Se isto não acontecer, nós voltaremos a ocupar o horto”, adianta.

Com a desocupação, as 120 famílias que estavam no local vão se alojar nas proximidades do trevo que dá acesso ao município de Charqueadas e num acampamento localizado nas margens da BR-290, em Eldorado do Sul. Conforme Aida, o governo de José Ivo Sartori (PMDB) não apresentou outras alternativas a não ser a desocupação aos Sem Terra. “É um descaso. Temos cerca de 2 mil famílias acampadas no estado e há quase três anos não há desapropriação de áreas para a reforma agrária. O último assentamento foi criado em outubro de 2015 em Esmeralda, pelo governo federal, mas nem está reconhecido no Incra”, declara.

No RS, camponesas Sem Terra debatem violência contra a mulher

Por Catiana de Medeiros
Da Página do MST

As formas de violência contra a mulher estiveram no centro do debate do Encontro Estadual do Setor de Gênero do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) no Rio Grande do Sul. O evento foi realizado dias 3 e 4 deste mês no Assentamento Filhos de Sepé, localizado no município de Viamão, na região Metropolitana de Porto Alegre, com o objetivo de aprofundar o conhecimento das participantes sobre a realidade das mulheres e os processos de violência.

A discussão foi ministrada por Lurdes Santin, da coordenação do Movimento das Trabalhadoras e Trabalhadores por Direitos (MTD). Ela falou sobre as diferentes formas de violência que as mulheres enfrentam no dia a dia e destacou os avanços que tiveram a partir da Lei Maria da Penha (Lei nº 11.340), que completa nesta segunda-feira (7 de agosto) 11 anos de existência. Ela é considerada pela Organização das Nações Unidas (ONU) uma das três melhores legislações do mundo no enfrentamento à violência contra as mulheres.

Outra iniciativa de combate à violência apresentada por Lurdes diz respeito ao reconhecimento do feminicídio — assassinato de mulheres pela condição de serem mulheres — como crime hediondo, por meio da Lei 13.104/2015. A alteração do artigo 121 do Código Penal tem ajudado a tirar mortes brutais de mulheres da invisibilidade. Lurdes explica que, geralmente, quando ocorre este tipo de crime a vítima já sofreu vários outros tipos de violência. “Existem pesquisas que mostram que as mulheres demoram de 7 a 11 anos para fazer a primeira denúncia. Se chegou à física é porque já passou por todos os outros tipos de violência”, diz.

Conforme Lurdes, muitas vítimas não percebem que sofrem determinados tipos de violência, os quais acontecem na maioria das vezes em investidas de humilhação, culpa e chantagem emocional, entre outras, por parte de seus companheiros, maridos ou namorados. Para Lurdes é fundamental que as mulheres façam uma “limpeza de culpa”. “Se acontece alguma coisa de ruim dizem que a culpa é nossa. O mesmo acontece se temos filhos ou se não temos filhos. As mulheres hoje se culpam porque apanham”, relata.

Ela destaca ainda que a violência de gênero é fruto de uma relação histórica de poder, que se baseia numa crença de que o homem é superior à mulher, e tem ligação direta com a violência estrutural. Esta, numa visão geral, segundo o Observatório sobre Crises e Alternativas, criado pelo Centro de Estudos Sociais (CES) da Universidade de Coimbra, “é produzida pela organização econômica e política das sociedades, que expressa-se na desigual distribuição do poder e, consequentemente, em oportunidades desiguais, na discriminação e na injustiça”. No caso específico das mulheres, a sociedade, por ter em sua estrutura o machismo e o partiarcado, acaba legitimando inúmeras situações de opressão. “O jeito que está estruturada a nossa sociedade é a pior forma de violência que as mulheres podem sofrer. Enquanto continuar deste jeito as outras formas de violência vão continuar existindo”, avalia Lurdes.

Violência institucional

A situação das mulheres na atual conjuntura política do país e com o governo de Michel Temer (PMDB) também foi debatida no Encontro Estadual do Setor de Gênero. Na ocasião, a camponesa Roberta Coimbra, assentada no município de Piratini, na região Sul do estado, reforçou que o Brasil vive um período de desmonte de uma estrutura de sociedade que estava sendo construída através das lutas populares. Segundo ela, a reforma trabalhista, sancionada dia 13 de julho deste ano por Temer, e a reforma previdenciária, que tramita no Congresso Nacional como Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 287, serão extremamente prejudiciais à população brasileira, principalmente às mulheres.

“Com a reforma trabalhista, as mulheres urbanas, especialmente as negras e pobres, não têm mais seus direitos básicos assegurados. Elas não terão mais tempo para cuidar dos filhos, para cuidar de si, para fazer o que gostam. Vamos entrar num ritmo de trabalho que vai gerar menos qualidade de vida e mais empregos precários. Já a reforma da previdência vai provocar a fome e a miséria no campo. As mulheres, sobretudo as mais idosas, sustentam crianças, doentes e pessoas mais jovens com a aposentadoria. Vai haver também uma relação de trabalho sub-humano com o empregador, além da quebra financeira de muitos municípios”, explica Roberta. 

A assentada complementa que, nesta situação de desmonte dos direitos, cabe às mulheres zelar pelas conquistas que tiveram ao longo dos últimos anos na gestão dos governos progressistas. As participantes também sinalizaram a importância da solidariedade de classe para a construção da resistência popular. De acordo com a dirigente nacional do MST no RS, Silvia Reis Marques, assentada no município de Bossoroca, na região das Missões, um dos caminhos para a “libertação” dos trabalhadores e das trabalhadoras é a unificação das lutas para a saída de Temer da presidência e a realização de uma eleição direta.

“Não tivemos grandes avanços na pauta da Reforma Agrária nos governos de Lula e Dilma, mas nossos direitos de trabalhadores do campo estavam assegurados nestes últimos anos. Com Temer a decisão política é acabar com esses direitos para o crescimento do agronegócio, das grandes empresas e da burguesia. Nós, camponesas e camponeses, ainda temos um espaço para viver e produzir nossa comida. Mas e quem está na cidade? O caminho para nós é derrubar esse governo golpista. Nossa tarefa é construir resistência e alternativas. Precisamos estar preparadas com esse olhar da realidade e prontas para lutar”, aponta Silvia.

Salete Carollo, assentada no município de Tapes, na região Metropolitana de Porto Alegre, acrescenta que a tarefa das mulheres, e do MST como um todo ,é reerguer a classe trabalhadora por meio de iniciativas como o trabalho de base. “O Movimento tem condições de resistir através dos assentamentos. Comida não nos falta, nem lugar para morar. Mas precisamos pensar como ajudar quem está na cidade, que não tem as mesmas condições de resistência que nós temos no campo”, finaliza.

Coletivo LGBT

Durante o encontro também foi tratada a construção de um coletivo LGTB no estado, para que o MST no RS passe a debater o tema em suas instâncias internas. A ideia é ajudar a combater a homofobia no conjunto da sociedade.

Cooperativa do MST aposta em planejamento estratégico para enfrentar crise econômica

Por Catiana de Medeiros
Da Página do MST
Fotos: Caco Argemi

O enfrentamento da crise econômica por meio do planejamento estratégico tem sido prioridade para a Cooperativa dos Trabalhadores Assentados da Região de Porto Alegre (Cootap), que tem sua sede administrativa no Assentamento Integração Gaúcha, no município de Eldorado do Sul, a 16 quilômetros da Capital do Rio Grande do Sul. Uma das medidas adotadas é a busca de novos mercados para a comercialização de alimentos das 1600 famílias associadas.

A construção dos próximos passos ocorreu num trabalho de aproximação, nestes últimos cinco meses, da Cootap com seus associados, através de assembleias nas microrregiões onde há atuação do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e de reuniões do conselho deliberativo. O resultado das avaliações conjuntas do primeiro semestre e as ações para os próximos meses foram apresentados nesta terça-feira (1º), em assembleia geral. Na ocasião, Cedenir de Oliveira, dirigente estadual do MST, falou sobre as conjunturas política e econômica. Ele definiu o atual momento como “complexo e de resistência” para a esquerda e a classe trabalhadora, especialmente nos países da América Latina.

“No Brasil o projeto de conciliação de classes, que resultou em distribuição de renda e ganhos para todos, inclusive o capital, se esgotou com a crise econômica, gerando uma crise institucional. A burguesia tirou Dilma da presidência e hoje, com Temer, há derrotas das conquistas que obtivemos nos governos de esquerda. Ocorreram retrocessos tremendos na Saúde e Educação e em programas como o PAA [Programa de Aquisição de Alimentos]. Agora há mais de 14 milhões de desempregados e a diminuição do Estado. Portanto, este é um período de resistência para não sermos rebaixados”, explica Oliveira.

Segundo o dirigente, entre os principais desafios dos trabalhadores está a construção de uma “força real e da massa”, que seja capaz de barrar os retrocessos e de fortalecer o controle sobre os seus territórios. Neste sentido, Oliveira aponta a Cootap como uma ferramenta fundamental para organizar os assentamentos da Reforma Agrária, conquistados na luta pela terra, nos aspectos produtivo e econômico. “Precisamos nos organizar para sobreviver nas cadeias produtivas, porque estamos em meio a uma crise econômica onde há superprodução, ao mesmo tempo em que ocorreu a diminuição do consumo. O nosso desafio é superar esse momento histórico. Temos total convicção de que vamos sobreviver e resistir devido nossa base”, argumenta.

Organizada por setores, hoje a Cootap tem em suas principais linhas de produção o arroz orgânico, cultivado por cerca de 600 famílias em 22 assentamentos e 16 municípios gaúchos; o leite in natura e em pó, que envolve a produção de 96 famílias; e as hortaliças, que chegam especialmente aos mercados institucionais e em feiras públicas e particulares da região Metropolitana, a partir do trabalho de cerca de 200 famílias. Além disto, parte destes alimentos é comercializada na Feira Nacional da Reforma Agrária, na Feira Latino-Americana de Economia Solidária e no Mercado Público de Porto Alegre.

Mas, com a atual conjuntura brasileira, uma das preocupações da cooperativa diz respeito às vendas institucionais, uma vez que alguns governos municipais, através de articulação política, passaram a dar preferência aos produtos com agrotóxicos em vez dos orgânicos para alimentar os estudantes, em algumas situações deixando de cumprir a Lei nº 11.947, que recomenda a aquisição de pelo menos 30% dos produtos da agricultura camponesa e familiar para a merenda escolar.

Um exemplo é que a prefeitura de São Paulo, na gestão de João Doria (PSDB), deixou de comprar para a merenda escolar do município neste último período em torno de 1 mil tonelada de arroz orgânico do MST, que hoje é conhecido como o maior produtor do alimento na América Latina. “A prefeitura vai comprar arroz convencional, então nós, que produzimos orgânico, estamos fora. As ferramentas de comercialização existem, eles só mudaram o foco. A prioridade deles agora é outra”, avalia o assentado Marcos Vanderlei dos Santos, do setor financeiro da Cootap.

Santos também afirma que no primeiro semestre deste ano não ocorreram novas contratações de projetos por meio de PAA, programa que somente no ano de 2016, via Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), teve corte de R$ 5,7 milhões e em 2017 de R$ 1,1 milhão. “É um momento de dificuldade econômica, mas a cooperativa não está mal, nem quebrada. Para enfrentar essa crise precisamos comercializar nossa produção e fazer contenção de gastos. Temos grandes apostas em chamadas públicas da Conab, que, se derem certo, nos possibilitarão vender cerca de um milhão de quilo de arroz para seis ou sete estados brasileiros”, revela.

Outras ações

A Cootap quer ser referência no Brasil na organização socioeconômica da produção, agroindustrialização e comercialização de alimentos produzidos com base agroecológica. Para isto, investe no planejamento estratégico como ferramenta de gestão para o funcionamento da cooperativa em suas instâncias e atividades econômicas. Hoje, esta forma de organização, que culmina na reorganização dos seus setores de produção, continua sendo a sua principal aposta para o próximo período (2017/2018), sobretudo para vencer a crise econômica.

Na área do leite o objetivo da Cootap é organizar os grupos de produção, inclusive com a inserção de novas famílias, aumentar a quantidade produzida e melhorar a qualidade do alimento. Para isto, a cooperativa promoverá capacitações e colocará no debate com os associados a experiência de leite orgânico. Já no setor das hortas o intuito é fortalecer a agroindústria vegetal do Assentamento Itapuí, construída em 2016 no município de Nova Santa Rita, também na região Metropolitana de Porto Alegre. Os produtos minimamente processados e higienizados, como geleias e kits sopas, já são vendidos nas feiras orgânicas do Parque da Redenção e dos bairros Auxiliadora, Três Figueiras e Petrópolis, além de alguns shoppings da Capital. Também são entregues às escolas municipais de Nova Santa Rita. De acordo com Santos, a Cootap vai buscar novos espaços de comercialização e aumentar a diversidade de produção da agroindústria.

Para o assentado Emerson Giacomelli, presidente da cooperativa, o planejamento estratégico construído em conjunto com as famílias associadas ajudará no enfrentamento da crise política e econômica que atinge vários setores do país. Conforme ele, é prioridade para a Cootap manter todas as suas atividades produtivas. “Temos consciência do momento que estamos passando e dos desafios que nos esperam. É nas situações difíceis que percebemos o valor do planejamento, da gestão, da cooperação e da unidade política. O nosso compromisso para o segundo semestre é continuar organizando os assentamentos e fazendo a luta política e de projeto de sociedade. Essa tempestade vai passar e nós vamos continuar gerando vida e lutando por mais direitos a todos”, declara.

TRF4 decide pela nulidade dos títulos da empresa Araupel no Paraná

Por Geani Paula de Souza
Da Página do MST

Hoje os acampamentos Dom Tomás Balduíno e Vilmar Bordim, do município de Quedas do Iguaçu, Paraná, amanheceram com alegria e com a convicção de que a vitória está próxima e que o sangue derramado dos companheiros tombados na luta não será em vão.

O Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4), de Porto Alegre, levou a julgamento o processo que envolve o pedido de decretação de nulidade nas áreas da empresa Araupel.

No primeiro julgamento houve uma vitória parcial para a empresa, porém nesta terça-feira (01), foi revertida, comprovando por 4 votos a 1 a nulidade dos títulos. Foi uma grande vitória para a Reforma Agrária no Paraná, segundo a coordenação do MST.

“Para nós do MST da região centro, a confirmação da nulidade dos títulos da área da Araupel não gerou estranheza, porque nós tínhamos convicção de que essa área era da união, tanto que o MST fez essa denuncia, provocou isso para que o Incra fizesse esse estudo, porque a gente já denunciava que era área publica e grilada pela Araupel”, disse Laureci Leal Coradece, da coordenação regional do Movimento.

O Movimento agora reivindica que o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) e Governo federal destine essas áreas para o assentamento das famílias acampadas na região.

Acampamento Dom Tomás Balduíno

Na madrugada do dia 6 de julho de 2015, cerca de 1.500 famílias, munidas de foices, facões e bandeiras vermelhas ocuparam parte do latifúndio apropriado pela empresa Araupel, situada no Projeto 4, em Quedas do Iguaçu, Paraná.

No acampamento hoje vivem aproximadamente 900 famílias. A área está localizado no imóvel Rio das Cobras, que foi grilado pela empresa Araupel.

Hoje no acampamento se tem uma das maiores escolas do município, com mais de 480 educandos, reconhecida pelo estado. Isso é mérito do MST, das famílias acampadas, que ali lutam por um sonho por uma vida melhor.

Emboscada da Policia Militar

No dia 7 de abril de 2016, as famílias do acampamento Dom Tomas Balduíno, foram vitimas de uma emboscada realizada pela Policia Militar do Estado e por seguranças contratados pela empresa Araupel.

No ataque foram assassinados os trabalhadores Sem Terra Vilmar Bordin, 44 anos, casado, pai de três filhos e Leonir Orback, de 25 anos, deixou a esposa grávida de nove meses. Também foram feridos mais três trabalhadores.

Hoje as famílias sofrem com a perseguição e preconceito, mas que o MST sabe da importância da Reforma Agrária para o município de Quedas do Iguaçu.

Superintendente do INCRA no Paraná mente para camponeses Sem Terra

Por: Maria Luiza Francelino

Na tarde da ultima terça feira, 25/07, em audiência com o Incra no Paraná, parecia ter sido resolvido as questões ligadas ao recurso do Pronera para o curso de agroecologia integrado ao ensino médio para jovens beneficiários da Reforma Agrária, da Escola Milton Santos, em Maringá, que estava atrasando as aulas a três meses.

Os trabalhadores aplaudiram o falso avanço no processo de educação técnico nas áreas de Reforma Agrária do estado, que esta semana ainda se encontra engavetado no prédio do Incra, em Curitiba.

O superintendente do Incra, Edson Wagner de Souza Barroso, que assinou a documentação de liberação de verbas, para continuar as aulas dos jovens que cursam agroecologia, e ainda acordou com as famílias que ali estavam representando os estudantes, que o processo seria mandado para Brasília.

“Eu concordei com o parecer do Ciro e vou assinar o plano de trabalho, então conforme comprometido com vocês, da nossa parte o plano de trabalho está assinado e será mandado para o presidente Leonardo Goes, e ai nós vamos procurar tramitar hoje pra Brasília”, disse Barroso em audiência, enquanto assinava o documento.

Após uma semana, houve uma nova negociação coletiva em Curitiba, e perguntando para um funcionário do Incra sobre o acordo firmado com o recurso da turma de agroecologia, ele avisou que estava guardado, engavetado ainda no prédio da regional de Curitiba e não havia sido mandado para Brasília.

Segundo Luciana Brambilla, integrante do movimento Sem Terra, as coisas só avançam nessa regional com muita pressão. “Se a gente não continuar exigindo e fiscalizando esse órgão, nenhum processo vai para frente”, afirmou Branbilla.

Verbas atrasadas do Pronera só são liberadas no Incra por pressão popular

Por: Maria Luiza Francelino

Na manhã da ultima terça feira (25/07), o Superintendente Estadual do Incra no Paraná, Edson Wagner de Souza, assinou o projeto do Pronera para o curso de agroecologia integrado ao ensino médio para jovens beneficiários da Reforma Agrária, da Escola Milton Santos, em Maringá, que estava atrasando as aulas a três meses.

As famílias do MST, da região sul do estado, foram para o instituto em 150 camponeses e camponesas solicitar soluções e avanços nos processos de reforma agrária na região e em todo estado.

Os acampados e assentados passaram dois dias em audiência publica com o superintendente, e no segundo dia foi assinado o requerimento da verba, cuja documentação havia sido perdida dentro do próprio prédio do INCRA no estado. O superintende alegou que não havia assinado, pois estava em férias.

Alem disso, a equipe do Incra assumiu outros compromissos com as famílias ali presentes em relação as áreas que apresentaram suas pautas.

Para Joabe Mendes, da coordenação regional do movimento, as questões relacionadas à reforma agrária só avançam com pressão. “É preciso que as famílias sem terras se desloquem para cá, caso contrário não se avança alguns processos, há a necessidade de nos posicionar de forma popular, se não fosse assim a verba não teria ainda sido liberada”, disse Mendes.

MST cria peça teatral sobre realidade das mulheres operárias, negras, camponesas, indígenas e da comunidade LGBT

Iniciativa é do Grupo de Teatro ‘Peça Pro Povo’, constituído em 2005 pelo MST no Rio Grande do Sul.

Por Catiana de Medeiros
Da Página do MST

O Grupo de Teatro ‘Peça pro Povo’, formado por assentados e acampados do MST no Rio Grande do Sul, está criando uma nova peça para retratar a realidade das mulheres negras, camponesas, indígenas e operárias e da comunidade LGBT, desde a antiguidade até os dias atuais. Ao todo, são 15 pessoas envolvidas, de várias regiões do estado.

O grupo já realizou estudos e está em processo de construção do roteiro. Segundo Luciana Frozi, coordenadora do Coletivo de Cultura do MST/RS, a ideia é finalizar a peça até dezembro deste ano. Entre os temas trabalhados estão as várias formas de preconceito e opressão, como o machismo e a violência doméstica. As apresentações serão gratuitas e realizadas em atividades do MST e em espaços públicos de Porto Alegre, como no Mercado Público, no Parque da Redenção e em escolas.

“Nos estudos percebemos que quando a vida estava ameaçada foram as mulheres que se movimentaram, que foram às ruas e à luta para proteger as suas crias. O nosso objetivo é dar voz a essas mulheres, que foram caladas ao logo da história pela igreja, o Estado, o patriarcado, o agronegócio e o capitalismo”, diz.

“Peça pro Povo”

O Grupo de Teatro Peça pro Povo foi criado em 2005, a partir de um encontro de formação teatral, com análise de conjuntura do modelo político e econômico do país, realizado no Assentamento Filhos de Sepé, no município de Viamão, na região Metropolitana de Porto Alegre. Uma das suas tarefas é atender demandas políticas de discussão com a sociedade. Luciana lembra que neste mesmo encontro foi escolhido o nome do grupo ‘Peça pro Povo’. “Ele está ligado à ideia de socializar, participar, “pedir para o povo”, conta.

Ela acrescenta que com a definição do nome foi possível criar a música do grupo. A cada apresentação se faz o cortejo com a seguinte canção ao som de tambores e violões: “Peça pro povo / Peça o quê? / Se aproxime e você vai ver! / Peça pro povo / Peça o quê? / Teatro livre vocês vão ver… / Reforma Agrária pra valer/ Comida e beleza pra viver / Pra viver”.

O Grupo de Teatro do MST já conta com dez peças em sua trajetória, entre elas estão: Paga Zé (aborda os malefícios dos transgênicos); Bundade do Patrão (trata do trabalho escravo nas fábricas); e Morte aos Brancos (fala da luta dos povos indígenas por acesso à terra). Segundo Luciana, a prática teatral realizada no MST tem caráter formador, o que implica em intensa comunhão de saberes e de experiências pessoais e sociais de trabalhadores e trabalhadoras, além de não ter objetivo comercial.

“Ela não visa um produto final para o mercado, nem a produção de lucro e tão pouco a formação de profissionais do teatro. Nós construímos práticas que buscam no fazer artístico meios de construção da identidade Sem Terra e o aprofundamento das relações pessoais e sociais. Práticas que possam ser fonte de conhecimento, pesquisa e aprendizagem, formando indivíduos mais criativos e conscientes da realidade. Criarmos estratégias capazes de gerar discussão e análise das relações sociais, econômicas e culturais da sociedade”, explica.