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MST promove seminário sobre contaminação do Aquífero Guarani, em Passo Fundo

Por Letícia Stasiak
Da Página do MST 

Por meio do Projeto Tecnologias Apropriadas do Grupo Terra e Vida, famílias acampadas nas proximidades da BR-386 em Passo Fundo, na região Norte do Rio Grande do Sul, promovem neste sábado (26) o seminário “Aquífero Guarani: causas e consequências”. O evento será realizado, das 9 às 12 horas, no auditório do Instituto Superior de Filosofia Belthier (Ifibe), na Vila Rodrigues.

Segundo o agroecólogo e acampado Antônio Prestes Braga, o seminário debaterá a contaminação do Aquífero Guarani, principalmente pelo uso excessivo de agrotóxicos. “Passo Fundo possui um grande potencial em seu subsolo, pois ali passa o Aquífero Guarani, um dos mais importantes mananciais de água do mundo. Contudo, o modelo de produção do agronegócio, que também é desenvolvido na região, vem acarretando uma série de problemas aos seres vivos e aos bens comuns”, explica.

O seminário conta com o apoio do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), da Fundação Luterana de Diaconia (FDL) e do Ifibe, e tem como painelista Carlos Eduardo Sander, ecologista e radialista; e como debatedora Ana Carolina Tres, advogada das ocupações urbanas de Passo Fundo. A atividade será transmitida ao vivo pelo canal do youtube ‘Grupo Terra e Vida’.

Projeto

O Projeto Tecnologias Apropriadas do Grupo Terra e Vida é construído coletivamente com movimentos sociais, sindicais, pastorais e universidades. O seu objetivo principal é resgatar a dignidade das 50 famílias, oriundas das regiões Norte, Serrana, Centro e Alto Uruguai, que hoje vivem no Acampamento Terra e Vida, além de despertar na população passo-fundense a consciência na busca pela construção da agroecologia.

De acordo com Braga, o projeto surgiu porque as famílias já desenvolvem experiências de produção agroecológica no acampamento. A partir de uma oficina de extratos fermentados, que contêm plantas espontâneas para substituir os venenos na agricultura, a ideia foi transferida para o papel. “A prioridade é construir espaços de produção de alimentos saudáveis para a subsistência das famílias acampadas. O que sobrar será destinado à classe trabalhadora”, acrescenta.

As ações do projeto serão baseadas em atividades que gerem consciência, renda, solidariedade e produção agroecológica, a fim de mudar o modelo de desenvolvimento da agricultura. Entre elas estão a construção de uma horta de dez mil metros quadrados e a realização de oficinas com as temáticas do Aquífero Guarani e Reforma Agrária Popular, além do Lançamento da Feira Agroecológica Terra e Vida.

Acampamento Terra e Vida

O Acampamento Terra e Vida é fruto de uma ocupação realizada em 2014 pelo MST nas terras do advogado Maurício Dal Agnol, que durante 15 anos aplicou um golpe milionário em cerca de 30 mil clientes que venceram ações judiciais contra empresas telefônicas no estado. Hoje, os acampados vivem num espaço de 6 hectares, mas eles têm o controle de mais 90 hectares — 30% desta área é composta de mata nativa. Eles cobram a desapropriação da fazenda de 350 hectares para a Reforma Agrária.

Dal Agnol deve mais de R$ 31 milhões à Fazenda Nacional e tem todos os seus bens bloqueados pela justiça. Conforme o Ministério Público, ele teria lucrado mais de R$ 100 milhões nas defesas — em algumas situações os seus clientes ganhavam entre R$ 300 a R$ 400 mil. O advogado foi acusado de se apropriar de 90% do valor.

Na Expointer, MST comercializa produtos na ‘ilha dos orgânicos’

Os alimentos orgânicos da Reforma Agrária no Rio Grande do Sul poderão ser adquiridos de 26 de agosto a 3 de setembro na 19ª Feira da Agricultura Familiar, que acontece na 40ª Exposição Internacional de Animais, Máquinas, Implementos e Produtos Agropecuários (Expointer). O evento é realizado anualmente no Parque de Exposições Assis Brasil, localizado no município de Esteio, na região Metropolitana de Porto Alegre.

O Pavilhão da Agricultura Familiar vai contar com 198 expositores, entre Via Campesina, Federação Nacional dos Trabalhadores e Trabalhadoras na Agricultura Familiar (Fetraf), Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater) e Federação dos Trabalhadores na Agricultura (Fetag). Os produtos do MST estarão disponíveis em seis estandes da Via Campesina, por meio de três cooperativas e três agroindústrias — Cooperativa de Produtores Orgânicos da Reforma Agrária de Viamão (Coperav), de Viamão; Cooperativa de Produção Agropecuária Nova Santa Rita, de Nova Santa Rita; Cooperativa Agroecológica Nacional terra e Vida (Conaterra), de Candiota; Agroindústria Mãe Natureza, de Pedras Altas; Agroindústria Zatti, de Nova Santa Rita; e Agroindústria Camargo, de Viamão. Destas, três cooperativas — Coperav , Conaterra e Coopan — terão suas estruturas montadas na ‘ilha dos produtos orgânicos’, um espaço que terá 14 expositores na região central do pavilhão.

Conforme o presidente da Cooperativa Central dos Assentamentos do Rio Grande do Sul (Coceargs), Adelar Pretto, o MST comercializa a produção dos assentamentos da Reforma Agrária na Feira da Agricultura Familiar há 19 anos, a partir de uma iniciativa do ex-governador Olívio Dutra junto ao movimentos ligados ao campo. ““A Expointer até então era um mero espaço dos fazendeiros e do agronegócio. Olívio foi eleito em 1998, e no segundo ano do seu mandato nós iniciamos o Pavilhão da Agricultura Familiar, que hoje é o espaço mais visitado na Expointer. Lá temos produtos orgânicos e de boa qualidade”, argumenta.

Nesta edição, o MST vai comercializar sementes de hortaliças agroecológicas e oito variedades de arroz orgânico — agulhinha branco e integral, parboilizado, preto, rubi, arbóreo, cateto branco e integral, além de farinha orgânica nas opções branca e integral. Também levará à feira queijo, iogurte e bebida láctea, aipim higienizado, kit sopa, couve picada, moranga cabotiá minimamente processada e sucos naturais de maracujá, morango, laranja, amora, abacaxi e couve com limão. Os Sem Terra ainda comercializarão cucas, bolos, bolachas, biscoitos, cupcakes, bolinhos de legumes, palitos salgados e pães. Todos estes alimentos são produzidos por cerca de 500 famílias assentadas. Já na Praça de Alimentação terá almoço típico com arroz carreteiro — será preparado com arroz orgânico —, através da cozinha da Cooperativa dos Trabalhadores Assentados da Região de Porto Alegre (Cootap), de Eldorado do Sul.

Foto: Tiago Giannichini

Psicanalista trabalha a valorização humana e social em áreas da Reforma Agrária

Por Letícia Stasiak
Da Página do MST

Pertti Simula, psicanalista finlandês e autor do livro “Transformação das relações humanas e cooperação”, que foi lançado na última sexta-feira (18) no Rio Grande do Sul, tem como objetivo de trabalho construir relações que não sejam pautadas na lógica capitalista. Por meio do método Conscientia, o autor trabalha com escolas, cooperativas e organizações populares e desafia as pessoas a compreenderem que as relações humanas no mundo em que vivemos hoje se desenvolveram sob os valores do modo de produção capitalista, baseadas na competitividade, no individualismo e na desvalorização do outro.

No RS, Simula iniciou seu trabalho junto à Cooperativa de Produção Agropecuária Nova Santa Rita (Coopan), depois atuou na Escola Estadual Nova Sociedade, ambas no município de Nova Santa Rita, na região Metropolitana de Porto Alegre, seguido do Instituto de Educação Josué de Castro (IEJC), em Veranópolis, na Serra gaúcha, e do Instituto Educar, em Pontão, na região Norte. O psicanalista ainda trabalhou com a Cooperativa de Produção Agropecuária dos Assentados de Charqueadas (Copac), em Charqueadas, na região Metropolitana, e a Cooperativa de Produção Agropecuária Cascata (Cooptar), em Pontão.

Conforme Simula, o intuito do seu trabalho é despertar o crescimento humano, melhorar suas relações e suas capacidades de cooperação nos coletivos do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). É também contribuir em comprometimento, coragem, ética e uma melhor qualidade de vida na luta pela Reforma Agrária Popular e por uma sociedade justa.

Nas escolas, o autor realiza seu trabalho primeiramente com os professores, que captam a metodologia para depois transmitirem aos estudantes em sala de aula. Já nas cooperativas, a metodologia é aplicada a todos os cooperados.  O principal objetivo é que os “educadores e líderes reforcem a consciência das riquezas humanas em cada um e tenham uma compreensão das dificuldades, as quais chamamos de empecilhos”, comenta o autor.

Elizabete Witcel, diretora da Escola Nova Sociedade, a primeira a ser trabalhada por Simula no estado, explica que a instituição hoje é outra, em termos de relações, de crescimento e construção da própria identidade. “Temos um olhar mais integral para a sociedade e a autogestão e a auto-organização são o fio condutor desse trabalho que viemos construindo. A crítica e a cobrança foram deixadas de lado na escola e deram lugar a conversa e a conscientização. Professores e professoras se sentem menos reprimidos e mais libertos depois desse trabalho”, explica.

A periodicidade do trabalho desenvolvido pelo psicanalista varia de acordo com o público e a necessidade. Na primeira etapa, que dura de um a dois dias, a discussão fica em torno do conceito socialista sobre o ser humano. Nas próximas etapas o assunto é aprofundado, são estudados os métodos de valorização humana e valorização coletiva e se aplica o método Conscientia.

A Coopan foi a pioneira a receber o trabalho de Simula no estado gaúcho. Segundo o presidente da cooperativa, Nilvo Bosa, o maior trabalho aconteceu de forma social. “Hoje as pessoas conseguem ser mais felizes, se divertirem mais e se aproximam mais um dos outros. Simula consegue trabalhar a questão coletiva, a organização e os fundamentos do Movimento Sem Terra de uma forma impressionante”, afirma Bosa.

Confira entrevista com Pertti Simula, autor do livro Transformação das relações humanas e cooperação.

Página do MST – Como funciona o método que você trabalha? Ele muda a forma como é feito nas cooperativas e nas escolas?
Pertti Simula – Se trabalha nas cooperativas e nas escolas praticamente da mesma forma, a diferença é o objeto de aplicação. Na escola o primeiro objeto seria os professores, que captam a metodologia para depois transportar aos estudantes na sala de aula. Na cooperativa se tenta fazer todos compreenderem a metodologia.

A primeira compreensão apresentada pela metodologia é a que nós reproduzimos os modos e práticas das relações humanas do capitalismo, que são os que causam os problemas e os tornam crônicos. Por isso, se parte do paradigma de ter que quebrar esses modos e não aceitá-los.

A ideia é que na cooperativa e na escola, o objetivo do educador e da liderança seja sempre reforçar a consciência das riquezas humanas em cada um e ter uma compreensão das nossas dificuldades, que chamamos de empecilhos.

Página do MST – Existe uma periodicidade de acompanhamento?
Simula – Vamos numa cooperativa, discutimos primeiro o conceito socialista sobre o ser humano, os deixamos pensarem, damos exemplos. Esse passo pode durar um dia, ou de preferência dois dias. Depois soltamos o assunto e voltamos alguns meses mais tarde, ou meio ano. Voltamos mais dois dias e aprofundamos o pensamento e já estudamos os métodos de valorização humana e valorização coletivos e aplicamos no sentido mais metodológico. Talvez seja preciso uma terceira ou quarta etapa. Depois de um ano ou dois, pode-se voltar a fazer uma reflexão, ou talvez mudar a dinâmica, focando nos desafios das pessoas logo na segunda etapa.

A periodicidade varia de acordo com o público e suas necessidades. É feita uma pesquisa antes e pergunta-se para todos os principais assuntos que desejam trabalhar. O que recebe mais atenção será o foco do curso.

Página do MST – Quais os resultados desse método?
Simula – Cada vez que se faz uma etapa da atividade, minha opinião é que o coletivo acha que foi mais um passo para frente. Para internalizarmos, conscientizar e cair a ficha, não é um processo simples e curto e não temos pressa. Não queremos chegar ao fim, só queremos seguir no caminho de como ser. As pessoas estão querendo seguir no caminho.

Página do MST – Quanto tempo você demorou para escrever o livro Transformação das relações humanas e cooperação?
Simula – Este é o sétimo livro que estou publicando. Foram quatro livros na Finlândia e três livros na Suécia. Este livro demorou mais do que qualquer outro, foram quase 20 anos para amadurecer. Os dois primeiros livros publiquei até 2000. Depois publiquei na Finlândia, em 2013, um livro com o conteúdo parecido com este. Em 2015 publiquei o mesmo livro na Suécia. O conteúdo é bastante similar, mas o livro aqui do Brasil, em que estamos dentro do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra, posso falar abertamente sobre a questão social e do capitalismo para o socialismo.

Página do MST – Qual o objetivo do livro? Como conseguimos transformar as relações humanas?
Simula – O livro fala como praticar e treinar relações de liderança, cooperação e educação nas casas, nas escolas. Que a igualdade e a solidariedade sejam coisas concretas e diárias.  Seu principal objetivo é fazer com que as pessoas sintam mais amor pela vida e por tudo o que as rodeia, seja a natureza ou o ser humano.

Mais amor significa mais liberdade, mais liberdade significa mais coragem e todos esses sentimentos juntos vão criar no nosso interior uma força de luta para que transformemos essa sociedade capitalista e repressora. Que consigamos reverter uma pressão de baixo para cima e ter coragem e alegria de mudar o mundo capitalista. A luta precisa ser alegre e transformar as pessoas.

 

O MST está entendendo que a visão que temos e que está escrita no livro está de acordo com o materialismo histórico dialético do Marxismo, mesmo que não sejam usadas as mesmas terminologias, mas os conceitos e a compreensão são as mesmas.  Se fazemos a revolução, nossa cabeça não está revolucionada. O MST entende que temos que aprender minimamente a revolução nas nossas cabeças antes de ter a revolução das estruturas, se não vamos cair em outra ditadura.

Confira aqui as fotos do lançamento do livro: https://goo.gl/krRCii

Inauguração de silos e agroindústria vegetal do MST vão gerar mais trabalho e renda no campo

Por Catiana de Medeiros
Da Página do MST

Sonhos coletivos de 147 famílias associadas da Cooperativa de Produção, Trabalho e Integração (Coptil) e assentadas na Reforma Agrária se concretizaram na região da Campanha do Rio Grande do Sul. Depois de mais de dois anos de construção, no último sábado (19) foram inauguradas uma unidade de recebimento, secagem e armazenagem de grãos e uma agroindústria vegetal no Assentamento Conquista da Fronteira, localizado no município de Hulha Negra. O evento contou com as presenças de lideranças do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), do presidente da Assembleia Legislativa, deputado Edegar Pretto, de prefeitos, vereadores e deputados estaduais, além de representantes da Emater/RS-Ascar e da Secretaria Estadual do Desenvolvimento Rural (SDR).

Segundo o diretor administrativo da Coptil, Emerson Francisco Capelesso, a unidade de recebimento, processamento e armazenamento de grãos e a agroindústria vegetal vão possibilitar à cooperativa a inserção de seus alimentos num mercado mais amplo, a partir da industrialização da produção dos assentamentos, especialmente do município de Hulha Negra, onde há 29 áreas da Reforma Agrária. Além disto, vão gerar trabalho e renda para as famílias associadas. “A concretização desses sonhos viabiliza a produção diversificada, a industrialização e a comercialização dessa produção, com geração de emprego e renda para as famílias. Nós poderemos envolver os jovens e mais mulheres nas atividades e, com isto, potencializar o desenvolvimento regional”, acrescenta.

A unidade tem capacidade de receber 32 toneladas por hora e de secar 5 mil sacas por dia, além de armazenar 30 mil sacas de grãos. Capelesso revela que a prioridade é o armazenamento de arroz, milho e trigo para processamento, mas a estrutura também vai armazenar aveia, azevém, linhaça e sorgo. O empreendimento teve financiamento de R$ 1,3 milhão do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e vai gerar inicialmente cinco empregos, mais as vagas temporárias.

Já a agroindústria vegetal teve investimento de R$ 220 mil do Fundo Estadual de Apoio ao Desenvolvimento dos Pequenos Estabelecimentos Rurais (Feaper) e vai garantir neste primeiro momento dez postos permanentes de trabalho. No local serão produzidos doces, conservas, kits sopas, saladas e aipim embalados à vácuo e batata em palito congelada, entre outros alimentos minimamente processados, para serem comercializados via Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE).

Conforme Capelesso, para ampliar sua atuação no mercado institucional, a Coptil já realizou conversas com as Forças Armas e prefeituras de Aceguá e Hulha Negra. Em Candiota, onde mais de 800 famílias vivem em 32 assentamentos, a compra dos produtos da agroindústria vegetal para as escolas do município já está garantida, de acordo com o prefeito Adriano dos Santos. “Os assentamentos são de suma importância principalmente para o desenvolvimento da nossa sede do município, que tem o seu comércio interno e seu varejo fortalecido pelas famílias do campo. Na questão da Coptil, que é nossa parceira, com a agroindústria inaugurada, Candiota já passa a adquirir produtos para a merenda escolar”, destaca.

Porém a cooperativa, que já possui um supermercado desde 1992 nas proximidades da avenida principal de Hulha Negra, quer fortalecer sua atuação no varejo. O objetivo é que os produtos da agroindústria cheguem ao mercado local e regional, uma vez que, segundo Capelesso, 80% dos hortifrutigranjeiros que vão para a mesa dos consumidores da região da Campanha vêm de fora. Entre as apostas está a construção de uma central de distribuição na cidade de Candiota, que deve ser inaugurada no primeiro semestre do próximo ano. “Hoje temos produção, indústria e logística, mas queremos um ponto mais central para organizar a comercialização. Esse empreendimento será importante para que possamos colocar nossos produtos a nível regional e, inclusive, buscar outros mercados fora da região”, argumenta.

Para a dirigente estadual do MST, Salete Carollo, as estruturas inauguradas pela Coptil fazem parte do processo de construção da Reforma Agrária Popular, que estabelece valores de cooperação, solidariedade e partilha, e tem como base a produção diversificada, orgânica e agroecológica de alimentos para a sociedade brasileira. “É fundamental que a produção, o processamento e a comercialização estejam no poder dos próprios camponeses e, neste caso, dos assentamentos. Isto gera autonomia e soberania, e faz com que a renda de fato aconteça de forma muito mais gradativa e saudável para as famílias”, explica.

Frei Sérgio lança livro “Trincheiras da Resistência Camponesa”, no RS

Por Catiana de Medeiros
Fotos: Letícia Stasiak


O dirigente social Frei Sérgio Antônio Görgen lançou na noite desta quarta-feira (16) o livro “Trincheiras da resistência camponesa sob o pacto de poder do agronegócio” na sede do Sindicato dos Bancários, situado no Centro de Porto Alegre, no Rio Grande do Sul. O evento contou com a participação de dirigentes de movimentos populares, do presidente da Assembleia Legislativa gaúcha, deputado Edegar Pretto, e demais representantes do Poder Legislativo.

Publicado pela editora do Instituto Cultural Padre Josimo, a obra tem 616 páginas e recupera textos dos últimos 16 anos em uma publicação que, segundo Frei Sérgio, facilmente pode ser interpretada como testemunho crítico e histórico, onde as bandeiras de luta se mantêm, mas os objetivos específicos foram se transformando. “É um esforço de juntar o que foi escrito no calor dos acontecimentos, entre os anos 2000 e 2016. Espero que ele ajude a fortalecer a luta e a resistência camponesa, operária e democrática”, explica.

Durante o ato de lançamento, o engenheiro agrônomo e militante do MST, Adalberto Martins, destacou a relação de aliança do Movimento Sem Terra com o autor e a importância da obra, especialmente para os camponeses. “São 16 anos de estudos e militância. Para nós, do MST, ter o Frei Sérgio como aliado e companheiro de luta é motivo de orgulho. É um intelectual que nos ajuda a entender os desafios que estão postos hoje”, declara.

Frei Sérgio, para além de uma rotina que se divide entre a espiritualidade da vida religiosa e o front de luta social, é uma voz respeitada e que, através de textos opinativos publicados nos mais diversos meios de comunicação ao longo dos anos, traz uma narrativa em primeira pessoa do tempo histórico que caracteriza a contemporaneidade no Brasil e América Latina. O autor é referencial na história dos movimentos sociais do campo, com especial aproximação ao Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA) e MST.

Onde comprar 

O livro pode ser adquirido através do site http://padrejosimo.com.br/loja ou solicitado pelos telefones (51) 3228-8107, (55) 55 3281-4820 ou (55) 99638-4941.

 
Veja todas as fotos do lançamento: https://goo.gl/UmtXSs.

Cooperativa do MST inaugura silos de armazenagem de grãos e agroindústria vegetal

Por Catiana de Medeiros
Da Página do MST

O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e a Cooperativa de Produção, Trabalho e Integração (Coptil) inauguram neste sábado (19) uma unidade de recebimento, secagem e armazenagem de grãos e uma agroindústria de processamento de vegetais. O ato será realizado a partir das 10 horas no Assentamento Conquista da Fronteira, localizado no município de Hulha Negra, na região da Campanha do Rio Grande do Sul.

A unidade tem capacidade para receber 32 toneladas por hora e para armazenar 30 mil sacas de grãos. Segundo o diretor administrativo da Coptil, Emerson Francisco Capelesso, a prioridade é o armazenamento de arroz, milho e trigo para processamento, mas a estrutura também vai armazenar aveia, azevém, linhaça e sorgo. O empreendimento teve financiamento de R$ 1,3 milhão do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e vai gerar inicialmente cinco empregos, mais as vagas temporárias.

Conforme Capelesso, esta é a primeira estrutura própria da cooperativa para recebimento, secagem e armazenamento de grãos, o que vai viabilizar as atividades do setor com redução de custos, uma vez que até então esses tipos de serviços eram terceirizados. “A estrutura ajudará a consolidar uma matriz de produção agropecuária diversificada nos assentamentos da Reforma Agrária na região da Campanha”, acrescenta.

Já a agroindústria vegetal teve investimento de R$ 220 mil do Fundo de Terras do Estado do Rio Grande do Sul (Funterra), e vai garantir neste primeiro momento dez postos permanentes de trabalho. De acordo com Capelesso, no local serão produzidos alimentos minimamente processados, entre eles doces, conservas, kits sopas, saladas e aipim embalados à vácuo e batata em palito congelada. O objetivo é comercializá-los no mercado tradicional e institucional, como o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE).

Para Capelesso, o desafio da Coptil no próximo período é consolidar a comercialização dos produtos de seus 147 cooperados dos municípios de Hulha Negra, Candiota e Aceguá, através da industrialização e processamento. O intuito é garantir o crescimento produtivo e a incorporação de novos associados nas atividades da cooperativa. “Industrializar a produção dos assentamentos é um sonho alimentado há muito tempo pela Coptil. A partir disto conseguiremos potencializar a comercialização, a produção e a geração de trabalho e renda para as famílias e os jovens dos assentamentos da região”, explica.

Ato de inauguração

A inauguração da unidade de recebimento, secagem e armazenagem de grãos e da agroindústria de processamento de vegetais será às 10h45 e contará com a presença do presidente da Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul, deputado Edegar Pretto; do secretário de Desenvolvimento Rural, Pesca e Cooperativismo (SDR), Tarcísio José Minetto; de representantes da Emater/RS-Ascar; de deputados federais e estaduais; além de lideranças de movimentos sociais, como a Central Única dos Trabalhadores (CUT) e Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA). Na programação também tem análise da conjuntura agrícola e da política brasileira e shows com Antônio Gringo e Alma Galponeira, Grupo Sandim e João Chagas Leite.

Programação

9h30 — Acolhida aos participantes
10 horas — Análise da conjuntura agrícola e política
10h45 — Inauguração com fala de autoridades
12h15 — Almoço
14 horas — Shows com Antônio Gringo e Alma Galponeira, Grupo Sandim e João Chagas Leite.
18 horas — Encerramento

Serviço


O quê? Inauguração da unidade de recebimento, secagem e armazenagem de grãos e da agroindústria de processamento de vegetais da Cooperativa de Produção, Trabalho e Integração (Coptil).
Quem? Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e Coptil.
Quando? Sábado, 19 de agosto, a partir das 10 horas.
Onde? Assentamento Conquista da Fronteira, em Hulha Negra

MST é contra a criminalização da atuação do Instituto Federal Catarinense – Campus Abelardo Luz

O Movimento dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais Sem Terra vem a público esclarecer que o ocorrido na manhã desta quarta feira (16) é parte de uma ofensiva do Estado em negar o direito à educação aos povos do campo. Ministério Público e Polícia Federal promoveram uma ação de apreensão de instrumentos de trabalho dos servidores públicos Maicon Fontanive e Ricardo Velho, solicitam o afastamento do mesmo de suas funções no Instituto Federal Catarinense – Campus Avançado Abelardo Luz/SC, além de quebrar o sigilo destes e da reitora Sonia Regina.

Há no Brasil somente duas unidades de Institutos Federais localizadas em áreas de Reforma Agrária. Desde o início da implementação do campus em Abelardo Luz foram inúmeras denúncias infundadas, que foram parte de uma ofensiva que visa retirar o IFC do meio rural. Neste mesmo sentido, nas últimas décadas milhares de escolas do campo tem sido fechadas, demonstrando a negação ao direito a educação dos trabalhadores e trabalhadoras no campo e a estratégia de inviabilizar a vida no campo.

Um dos argumentos das denúncias é que o Instituto Federal Catarinense – Campus de Abelardo Luz fica a 30km de distância da cidade, dificultando o acesso ao mesmo. Olhado de outro ponto de vista, esse argumento corrobora com a denúncia feita pelo Movimento Sem Terra há décadas: as instituições públicas regularmente ficam longe dos moradores da zona rural, que tem os mesmos direitos de acesso aos serviços públicos.

O Movimento Sem Terra, ao longo de sua história, luta junto com outros movimentos pela educação do campo. E construiu em parceria com estes movimentos e instituições de ensino superior diversos cursos de formação, desde o nível de alfabetização até pós-graduação. As parcerias sempre respeitaram a autonomia das instituições, e formaram mais milhares de pessoas. A atuação do Ministério Público, em relação ao referido campus, configura-se como mais um caso de perseguição ideológica e criminalização da construção de processos em parceria com movimentos sociais e organizações sociais em geral. Visivelmente é parte da estratégia que vem sendo construído pela Escola Sem Partido, que está dentro de uma lógica inconstitucional de inibição da pluralidade de ideias no espaço escolar.

O MST segue a luta pela reforma agrária, pelo direito de viver no campo e da educação do campo. E se solidariza com os educadores e educadoras do campus, que visam construir, nas dificuldades de uma escola do campo, uma educação de qualidade historicamente negada a essa população.

Educação do Campo: Direito nosso, dever do estado!

 

(Aos que desejarem manifestar seu apoio segue o endereço da petição pública:https://secure.avaaz.org/po/petition/Ministerio_Publico_Federal_e_Justica_Federal_subsecao_Chapec_Em_defesa_do_IFCAbelardo_Luz_servidores_Ricardo_Velho_e_Mai/?cwdNkmb )

Psicanalista Pertti Simula lança livro na Feira do Livro de Nova Santa Rita

Por Letícia Stasiak
Da Página do MST

Na próxima sexta-feira, dia 18 de agosto, a partir das 17 horas, o psicanalista finlandês Pertti Simula fará o lançamento do livro “Transformação das relações humanas e cooperação” na Feira do Livro de Nova Santa Rita, na região Metropolitana de Porto Alegre, no Rio Grande do Sul.

O ato será realizado na Praça da Bíblia, no Centro da cidade, com a participação de autoridades e lideranças, representantes de escolas do campo e de cooperativas do MST – Cooperativa de Produção Agropecuária Nova Santa Rita (Coopan), Cooperativa dos Trabalhadores Assentados da Região de Porto Alegre (Cootap) e Cooperativa de Trabalho em Serviços Técnicos (Coptec). Acontecerá também uma roda de conversa e sessão de autógrafos.

O livro, publicado pela Editora Expressão Popular, com 272 páginas, já foi lançado nos estados da Paraíba e São Paulo. Ainda terá lançamento na cidade de Guararema (SP) e Laranjeiras do Sul (PR) e também nos países da Suécia, Finlândia e Portugal. Seu principal intuito, conforme o autor, é despertar o desenvolvimento humano, melhorar as relações e cooperação nos coletivos do MST e contribuir para a transformação das relações de igualdade e solidariedade.

Simula é Mestre de Ciências pela Universidade de Helsinki, vive e atua há 40 anos entre o Brasil e a Europa. Ele começou a trabalhar com o MST no estado do Paraná em 1999, para acompanhamento de uma cooperativa em crise. Logo após vieram outras demandas e o autor resolveu aceitar. “Senti que o trabalho era muito desafiante e gratificante e os ideias correspondiam com o meu sonho”, explica.

No Brasil ele trabalha com nove cooperativas, duas escolas, três institutos de formação, uma universidade e um curso de cooperativismo na parceria MST, Fundação Mundukide e Instituto Conscientia.

SERVIÇO:
O quê? Lançamento do livro do psicanalista Pertti Simula.
Quando? Dia 18/08/17, às 17 horas.
Onde? Feira do Livro de Nova Santa Rita (palco principal da Praça da Bíblia).

MST chega a capital paranaense em busca de negociação coletiva com Incra

Por: Comunicação MST/PR

Na manhã desta terça-feira (15/08), chegaram à capital paranaense cerca de 300 camponeses Sem Terra, em busca de uma negociação coletiva junto ao Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), para solicitar avanços nos processos de Reforma Agrária que estão parados no estado.

São camponeses acampados e assentados nas regiões norte e oeste, e vem cobrar agilidade nas áreas ocupadas, e também melhorias para o desenvolvimento dos assentamentos.

“O objetivo nosso é tentar ver com o superintendente os processos que estão em andamento, e o porquê dessa morosidade toda. Se nós não ocupar o INCRA eles não dão uma satisfação para nós”, disse o assentado Valter Mendes.

Os Sem Terra pedem audiência com a superintendência para possíveis soluções e avanços nas legalizações agrárias e também assistência técnica.

O processo de negociação coletiva é uma proposta do movimento para a prática ordenada do processo, onde os acampados e assentados apresentam suas pautas.

Os camponeses pretendem ficar em Curitiba até o término das negociações serem atendidas, e ser analisados coletivamente.



						
						
						
		

MST desocupa área da CEEE após audiências de conciliação no Rio Grande do Sul

Por Catiana de Medeiros
Da Página do MST

Depois de quase nove meses de ocupação e três audiências de conciliação no Ministério Público Federal (MPF), o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) desocupou na última sexta-feira (11) o Horto Florestal Carola, da Companhia Estadual de Distribuição de Energia Elétrica (CEEE), localizado em Charqueadas, na região Metropolitana de Porto Alegre, no Rio Grande do Sul.

O lugar era utilizado para fabricação de postes de madeira e foi ocupado pela terceira vez dia 14 de novembro de 2016, por cerca de 500 famílias do MST. O objetivo era pressionar para cumprimento de Termo de Compromisso, assinado em 2014 pela CEEE e pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), para transformar a área, de 1080 hectares, em assentamento.

Conforme o documento, a CEEE teria que retirar a vegetação e os tocos de árvores do local, onde também haviam embalagens cheias e com resíduos de Arseniato de Cobre Cromatado – produto tóxico que era utilizado na Usina de Preservação de Madeira, que deixou de funcionar em 2013 –, para que o Incra adquirisse a área. À época, a empresa e o Instituto tinham 60 dias para cumprir o compromisso, porém, o prazo não foi respeitado.

Com a terceira ocupação, o processo tramitou na Comarca de Charqueadas, mas o caso foi remetido em janeiro deste ano para a Justiça Federal, após intervenção do MST e do Incra para declínio de competência. Desde então foram realizadas três audiências de conciliação na 9ª Vara Federal de Porto Alegre, que possui competência exclusivamente ambiental, agrária e residual.

Acordos

A última audiência foi realizada dia 13 de julho pela juíza federal substituta Clarides Rahmeier. Ficou acordado que a CEEE cumprirá um cronograma para investigar se há contaminação em parte do horto por produtos tóxicos que utilizava no tratamento dos postes de madeira. Se comprovada a contaminação, a Companhia terá que fazer a recuperação ambiental. O prazo para investigação vence em dezembro de 2018. A CEEE também se comprometeu a ofertar outras áreas ao Incra para criar assentamentos.

Já as famílias do MST concordaram em desocupar o Horto Florestal Carola em até 30 dias, a contar a partir da data desta última audiência, para dar agilidade ao cumprimento dos acordos estabelecidos na justiça. Por sua vez, o Incra reafirma que ainda tem interesse em adquirir a área para destiná-la à reforma agrária.

Comissão de acompanhamento

Segundo Aida Teixeira, da coordenação do acampamento, as famílias acampadas organizarão uma comissão de acompanhamento do cronograma estabelecido à CEEE. Ela destaca que, caso o acordo não seja cumprido, o MST vai requerer uma nova audiência na justiça e não descarta a possibilidade de reocupar a área. “Nós não estamos nenhum pouco contentes. O primeiro acordo feito em 2014 foi ignorado pela Companhia e o Incra. Agora, estamos cumprindo novamente a nossa parte, de desocupar, mas exigimos que os outros envolvidos também assumam de fato os seus compromissos. Se isto não acontecer, nós voltaremos a ocupar o horto”, adianta.

Com a desocupação, as 120 famílias que estavam no local vão se alojar nas proximidades do trevo que dá acesso ao município de Charqueadas e num acampamento localizado nas margens da BR-290, em Eldorado do Sul. Conforme Aida, o governo de José Ivo Sartori (PMDB) não apresentou outras alternativas a não ser a desocupação aos Sem Terra. “É um descaso. Temos cerca de 2 mil famílias acampadas no estado e há quase três anos não há desapropriação de áreas para a reforma agrária. O último assentamento foi criado em outubro de 2015 em Esmeralda, pelo governo federal, mas nem está reconhecido no Incra”, declara.