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I Encontro de Adolescentes Sem Terra da Região Sul do Brasil encerrou nesta quinta-feira

Por: Maria Luiza Francelino

Na manhã desta quinta-feira (31), terminou o I Encontro dos Adolescentes Sem Terra das Áreas de Reforma Agrária da Região Sul do país, que contou com a presença de aproximadamente 100 adolescentes de 12 a 15 anos. A atividadeaconteceu na Escola Latino Americana de Agroecologia (ELAA), localizada no Assentamento Contestado, município da Lapa-PR.

O encontro de quatro dias teve como objetivo discutir a participação e a auto-organização dos estudantes na luta pela educação, pela reforma agrária, inserção na militânciae por um projeto popular para o Brasil.

Para a educadora Geise Back, a sensação era de alegria e de dever e meta cumprida, já que os objetivos que citara no primeiro dia foram alcançados. “O principal objetivo desse encontro é ser um espaço formativo e de debate acerca das perspectivas de inserção e participação na luta desses sujeitos. Esperamos que seja um espaço de formação humana para esses adolescentes, que eles possam voltar para suas áreas e buscar o seu espaço de participação desde as demandas de seus territórios, e que reflitam como podem planejar seu presente e seu futuro dentro da luta”, completou Back.

Na programação além das oficinas de teatro, batucada, dança, colagem, ateliê popular, estêncil, clown e jogos coorporativos, aconteceram três eixos de debates conectados aos temas: Adolescência, Sexualidade e Corpo; Natureza, Ser-Humano e Agroecologia; Coletividade, Cooperação e Auto-organização. Além de diversos outros tempos formativos, como a cogestão do processo organizativo e pedagógico por parte dos participantes.

“A iniciativa do encontro preencheu uma lacuna que existia entre os espaços destinados aos Sem Terrinha e a inserção no Coletivo de Juventude do MST. Para tanto nada mais certeiro que um Encontro de Adolescentes Sem Terra”, disse Back.

No ultimo dia o clima entre os adolescentes era de dever cumprido, e de alivio por terem trazido encaminhamentos de trabalhos e metas em suas bases, metas de luta e aumento da perspectiva e da participação desses sujeitos na luta.

“No primeiro encontro dos adolescentes a gente teve a oportunidade de estar libertando a nossa voz, tendo um acesso há novos aprendizados que foram para nossa faixa etária, são novas experiências que a gente teve, achei bem bacana”, afirma a adolescente assentada Alana Lourenço.

Com a mala carregada de formações e experiências vividas nos últimos dias, hoje os adolescentes retornam aos seus estados pra continuar com a ousadia de pessoas que lutam por um projeto popular.

Na Expointer, sede do governo do estado é alvo de protesto de produtores de leite

Cerca de 300 produtores de leite no Rio Grande do Sul realizaram um protesto nesta quarta-feira (30) na Casa Branca, sede do governo do estado na 40ª Expointer, no município de Esteio, para denunciar o impacto das importações de leite em pó vindo de países vizinhos na cadeia produtiva do setor, a partir de decreto do governador José Ivo Sartori (PMDB). Os manifestantes são ligados à Via Campesina, Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA) e Federação dos Trabalhadores e Trabalhadoras na Agricultura Familiar (Fetraf).

 A insatisfação diante medidas do atual governo foi expressa pelos produtores através do derramamento de litros de leite no pátio da Casa Branca. À tarde, representantes dos movimentos vão se reunir com a Casa Civil e marcar uma audiência com o governador a fim de tratar sobre o assunto. Segundo os manifestantes, a Nestle (suíça) e a Lactalis (francesa) estão entre as empresas multinacionais mais beneficiadas com o decreto 53.059/2016 do governo estadual, que baixou a alíquota do ICMS para importação de 18% para 12%. Se a empresa importadora enviar a matéria-prima para ser industrializada em outro estado a alíquota cai para 4%.

 Os produtores afirmam que a importação gaúcha de leite em pó do Uruguai passou de 27 mil toneladas em 2015 para 50 mil toneladas em 2016, após o decreto. Somente nos primeiros cinco meses do ano o RS já buscou no país vizinho cerca de 15 mil toneladas. Conforme Adelar Pretto, representante da Via Campesina, isto provocou a queda do preço do leite pago pela indústria aos agricultores do estado, que recebem atualmente em torno de R$ 0,90 o litro — R$ 0,90 a menos que exatamente a um ano atrás.

 O que ocorre é a valorização das multinacionais e a desvalorização do produtor e da produção local. Com o decreto, o produtor gaúcho trabalha de graça, porque não recebe da indústria mais que R$ 0,90 o litro de leite. Isto não cobre nem a mão de obra. Também há dificuldade de mercado para despachar a produção, somente na região Sul há 900 toneladas de leite em pó estocado, explica Pretto.

Para solucionar os problemas dos produtores gaúchos, os manifestantes exigem providências do governador Sartori, como a suspensão definitiva do decreto 53.059/2016, que estimula a importação, e negociação com o governo federal para que os estoques de leite em pó das cooperativas do estado sejam adquiridos via Companhia Nacional do Abastecimento (Conab). Além disto, cobram criação de cotas para importação, reparos dos prejuízos oriundos do decreto e incentivos para fortalecer a atividade leiteira no estado.

Desistência

Segundo a Emater, atualmente 94% dos municípios gaúchos contam com alguma produção leiteira. No estado há 100 mil agricultores produzindo leite para a venda, sendo que, destes, 85 mil sãconsiderados reféns da indústria, ou seja, vendem somente para ela. O MST tem 4,5 mil famílias inseridas na atividade leiteira para industrialização nas regiões Sul e Norte do estado. De acordo com o Sistema Integrado de Gestão Rural dos Assentamentos (Sigra), em 2016 as áreas da Reforma Agrária produziram mais de 80 milhões de litros de leite para a indústria. Já o MPA tem cerca de 5 mil produtores envolvidos na comercialização de leite, e a Fetraf 20 mil.

 Contudo, conforme os manifestantes, muitas famílias já pensam em desistir da produção para venda em função da grande entrada no estado de leite uruguaio. De acordo com levantamento realizado pela Emater, em torno de 1 mil produtores do Vale do Taquari já deixaram a atividade por conta das consequências dos decretos.

Agricultores familiares pedem a extinção imediata de decretos que prejudicam a produção de leite no RS

Por Leandro Molina

Pequenos agricultores, gestores municipais, dirigentes de cooperativas, de sindicatos rurais, movimentos sociais, deputados estaduais e federais cobram soluções à crise do leite no Rio Grande do Sul e pedem a extinção imediata do decreto do governo estadual de junho do ano passado que baixou a alíquota do ICMS de 18% para 12%, para importação de leite. Os impactos das importações de leite em pó vindo do Uruguai na cadeia produtiva do setor no estado foi tema de um encontro que lotou a Casa da Assembleia na Expointer, em Esteio, na manhã desta quarta-feira (30).

Organizado pela presidência da Assembleia Legislativa, o encontro propôs discutir alternativas às medidas do governo estadual que vem estimulando a importação do produto e colocando em risco a economia das pequenas localidades e dos próprios produtores. Somente em 2016 o RS deixou de arrecadar cerca de R$ 126 milhões em impostos. O presidente da Assembleia, deputado Edegar Pretto (PT), diz que trata-se de uma concorrência desleal, pois tem como resultado a forte queda do preço pago pela indústria aos produtores. Hoje, o preço do litro de leite pago pela indústria aos agricultores no estado este entre R$ 0,80 e R$ 0,90. “O Estado perde, há um aumento dos estoques nas cooperativas, o pequeno produtor é obrigado a baixar seu preço para a indústria e as grandes empresas, principalmente as multinacionais, é que se tornam as únicas beneficiadas”, avalia.

O RS responde pelo maior volume de leite importado. Passou de 27 mil toneladas em 2015 para 50 mil toneladas em 2016. Somente nos primeiros cinco meses do ano o estado já buscou no país vizinho cerca de 15 mil toneladas. As maiores importadoras são empresas multinacionais como Conaprole (cooperativa uruguaia), a suíça Nestle e Lactalis (holandesa).

A preocupação do presidente Edegar Pretto é de que o estado caminha para a inviabilização da sua produção, fazendo com os pequenos e médios produtores larguem a atividade, como já acontece na Região do Vale do Taquari, que segundo levantamento realizado pela Emater/Ascar indica que algo em torno de mil produtores já deixaram a atividade por conta da entrada de leite uruguaio no estado. Pretto reforçou que é preciso um caminho para solucionar o problema e acabar com a angústia das famílias que vivem da produção de leite. Disse que uma parte importante da economia do estado está sendo deixada de lado em benefício das grandes empresas. “Trabalhadores e trabalhadoras rurais levaram anos para organizar a cadeia produtiva, e agora o leite uruguaio encontra uma porta aberta no estado prejudicando a economia e as famílias que vivem da produção”, observou.

Representantes de entidades ligadas à agricultura familiar avaliam que a cadeia produtiva do leite será comandada só por empresas multinacionais se persistir a crise estabelecida pela falta de políticas públicas dos governos estadual e federal. Um dos dirigentes do Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA), Frei Sérgio Görgen, diz que o sistema de importação é na verdade uma triangulação de grandes empresas que trabalham com leite internacional e deixam os pequenos produtores nesta péssima situação. “Precisamos que sejam tomadas medidas imediatas, como interromper definitivamente os decretos do governo gaúcho que beneficiaram outros países e abrir espaço via programas institucionais da Companhia Nacional de Abastecimento – a Conab, para compra de leite que pode ser usado na merenda escolar e Programa de Aquisição de Alimentos”, exemplificou.

Élio Muller, integrante da Cooperativa do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) de Santana do Livramento – Coperforte, também reivindicou ações do governo do Estado. Ele questionou a falta de visão do governo gaúcho ao impor decretos que trouxeram tantos prejuízos à cadeia produtiva sem levar em conta as necessidades da agricultura familiar. “Somos famílias que precisamos sobreviver e dar sustento aos nossos filhos e filhas”, resumiu.

Ao final, o presidente Edegar Pretto anunciou que solicitou agenda com o governador José Ivo Sartori para tratar do assunto. Na tarde desta quarta-feira, representantes do MST, MPA e Fetraf-RS vão se reunir com o chefe da Casa Civil, Fábio Branco, para acertar a data do encontro com o governador.

Situação do leite no RS

O RS possui um rebanho de 1.427.730 vacas leiteiras e produz 4,6 bilhões de litros por ano, numa média de 12,62 milhões litros/dia. O estado possui 198 mil produtores, sendo que 100 mil produzem para a venda e 90 mil para consumo próprio. Dos 100 mil, 85 mil são “reféns da indústria” e vendem somente para ela. O leite responde por 9% do PIB do RS (números de 2014), sendo que 94% dos municípios contam com alguma produção leiteira. Hoje o RS produz cerca de 60 derivados do leite, mas poderia, com programa, incentivo e acompanhamento técnico, chegar a 300 derivados.

Agroecologia e economia solidária são o fomento para a realização de feira na região centro do Paraná

Por: Jaine Amorin

No próximo sábado (02/09), irá acontecer a 5° edição da Feira Regional de Economia Solidária e Agroecologia (FESA), no município de Laranjeiras do Sul, região centro do Paraná, com a participação de 25 grupos de agroecologia de assentamentos e acampamentos das áreas de Reforma Agrária, além das áreas indígenas e quilombolas.

A feira abrange cerca de onze municípios da região, e traz mais de 200 variedades de produtos a serem comercializados, e média de 300 variedades de sementes crioulas e mudas frutíferas pra a troca. Durante o evento também terá 8 oficinas temáticas realizadas por parceiros e agricultores, além de varias apresentações culturais que acontecerão durante o dia todo.

Para Leonardo Xavier um dos organizadores da FESA, o evento é muito importante no desenvolvimento da agroecologia na região. “A FESA é o principal evento sobre a temática da agroecologia e economia solidária organizado no território da Cantuquiriguaçu-PR”.

A FESA é uma feira já tradicional na região, que tem o objetivo de mostrar a força dos agricultores e a sua organização, assim alavancando a agroecologia, preservando a biodiversidade e levando ao público urbano o acesso a um alimento saudável.

Xavier ressalta ainda a importância de a mesma acontecer nos dias de hoje, em um pais que é o maior consumidor de agrotóxico. “Ações como a FESA vem reforçar que a agricultura camponesa é capaz de produzir alimentos para o povo brasileiro, e ao mesmo tempo cuidar da preservação dos recursos naturais, seja das águas, do solo, das sementes e da biodiversidade.”

A primeira edição da feira aconteceu em maio de 2012, com a participação de cerca de cinco grupos de agroecologia, a segunda ocorreu em abril de 2014 e teve um aumento na participação dos grupos para mais de 10. A terceira edição, em maio de 2015, já contou com mais de 25 grupos e assim mantendo o mesmo número de grupos na quarta edição que ocorreu em maio de 2016.

A quinta edição que esta prestes a acontecer tem a expectativa de manter o mesmo numero de participantes, ou até aumentar este número, mas já com o intuito de continuar crescendo para as próximas edições.

O evento é realizado através de uma parceria do Centro de Desenvolvimento Sustentável e Capacitação em Agroecologia (CEAGRO), a Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS) e o Núcleo de Luta camponesa, que conta com um grande apoio dos movimentos sociais do campo, como o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA), além do apoio da prefeitura de Laranjeiras do Sul, EMATER e ENGIE Brasil energia.

 

Acampamento Maria Rosa do Contestado Comemora Dois anos de agroecologia e resistência

O acampamento Maria Rosa do Contestado, localizado no município de Castro, Paraná, comemora dois anos de ocupação sendo referencia em produção agroecológica no estado.

 Por: Maria Luiza Francelino

A festa de comemoração pelos dois anos do aniversário do acampamento Maria Rosa do Contestado, no município de Castro-PR, ocorreu nesse domingo (27/08), e contou com a presença de pessoas de várias regiões do estado, colaboradores e simpatizantes da luta pela terra, além das 200 famílias que residem no acampamento.

Durante o dia houve feira de sementes crioulas, venda de alimentos, show de prêmios, sem contar com toda a alegria e a fraternidade que ali podia se encontrar. O maior motivo pra comemorar não era a festa em si, mas, o fato das famílias provarem que podem viver na terra de forma agroecológica, saudável e comunitária.

“Da pra viver de forma agroecológica e produzir orgânico, claro que dá. Eu já vivia assim, da terra, mas agora, morando aqui aprendo mais ainda, a responsabilidade é maior, mas tiramos de letra porque não é só eu, são famílias vivendo daqui e produzindo vida saudável, são várias famílias que podem comemorar mais um ano de resistência, a gente tem muito pra comemorar” disse  a acampada Roseli Koralevski.
O acampamento produz aproximadamente três toneladas de alimentos orgânicos, como verduras, hortaliças, grãos e legumes por ano. Sendo, que no ano passado com tanta produção e com as dificuldades de escoamento e comercialização fez com que  sobrasse alimentos, e serviram de  doações para  as escolas de Castro.

Hoje a comunidade conta com Cooperativa dos Trabalhadores da Reforma Agrária Maria Rosa do Contestado (CMRC), para comercialização e auto sustentação das famílias. 

As famílias ainda contam com um projeto que está em construção em parceria com a Incubadora de Empreendimentos Solidários (IESOL) do município de Ponta Grossa, que dá assistência na parte formal e prática na preparação, produção e comercialização de morangos orgânicos.

As estufas para produção da cultura serão todas feitas de bambu e materiais mais resistentes e menos ofensivos a natureza.

“A comunidade além de produzir alimentação saudável, produz alfabetização, formação política e maior participação das famílias”, completa Koralevski.

 

Dois anos de história

A ocupação da área foi em 24 de agosto de 2015, onde cerca de 150 famílias do Movimento Sem Terra entraram na fazenda Capão do Cipó, de propriedade da União, mas que na época estava sendo utilizada ilegalmente pela Fundação ABC, uma empresa de pesquisas filiada as cooperativas Castrolanda, Arapoti e Batavo.

Desde abril de 2014 havia um pedido de reintegração de posse contra a fundação ABC, com multa diária de R$ 20 mil.
Mas somente após a ocupação da área pelo MST, o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA) declarou interesse social para fins de reforma agrária, com o projeto de transformar as terras em assentamento, com referência na produção agroecológica e familiar.

A luta das famílias é diária pela conquista do selo orgânico para seus produtos, assim facilitando a comercialização dos seus alimentos e gerando mais qualidade de vida.

I Encontro dos adolescentes da Região sul inicia na próxima semana

Por: Geani Paula de Souza

Durante os dias 28 á 30 de agosto, na Escola Latina Americana de Agroecologia (ELAA), município da Lapa – PR acontecerá o I encontro dos adolescentes das áreas de Reforma Agrária da região sul do Brasil, com a participação de aproximadamente 140 estudantes das escolas de acampamentos e assentamentos.

O encontro tem por objetivo discutir o lugar dos adolescentes no MST, sua auto-organização e a participação dos mesmos na luta pela educação, Reforma Agrária e por um Projeto Popular para o Brasil.

Para Valter Leite, da coordenação do setor de educação do MST, o encontro surgiu pelo próprio entusiasmo dos adolescentes, pois a partir do 12 anos os adolescentes não iriam mais para o encontro Sem Terrinha, e assim ficava uma lacuna até chegar ao coletivo da juventude.

“Com isto, originou-se a possibilidade de realizar um encontro dos adolescentes com o intuito de oportunizar ambientes formativos que permitam os adolescentes discutirem seu papel na construção do MST. Discutir o lugar dos adolescentes na participação da luta pela Educação, pela Reforma Agrária e por um Projeto Popular para o Brasil”, disse Leite.

O encontro irá proporcionar diferentes ambientes formativos para discutir temas relacionados à agroecologia, cooperação, sexualidades, auto-organização dos estudantes, conjuntura política e educacional, assim como acesso a diferentes oficinas de produção artística e criativa.

“Ambos ambientes formativos estão articulados pelo objetivo de contribuir na elevação cultural, na condição organizativa e na capacidade criativa de lutar e construir a Reforma Agrária Popular e por um projeto societário socialmente justo”, completou Valter.

MST promove seminário sobre contaminação do Aquífero Guarani, em Passo Fundo

Por Letícia Stasiak
Da Página do MST 

Por meio do Projeto Tecnologias Apropriadas do Grupo Terra e Vida, famílias acampadas nas proximidades da BR-386 em Passo Fundo, na região Norte do Rio Grande do Sul, promovem neste sábado (26) o seminário “Aquífero Guarani: causas e consequências”. O evento será realizado, das 9 às 12 horas, no auditório do Instituto Superior de Filosofia Belthier (Ifibe), na Vila Rodrigues.

Segundo o agroecólogo e acampado Antônio Prestes Braga, o seminário debaterá a contaminação do Aquífero Guarani, principalmente pelo uso excessivo de agrotóxicos. “Passo Fundo possui um grande potencial em seu subsolo, pois ali passa o Aquífero Guarani, um dos mais importantes mananciais de água do mundo. Contudo, o modelo de produção do agronegócio, que também é desenvolvido na região, vem acarretando uma série de problemas aos seres vivos e aos bens comuns”, explica.

O seminário conta com o apoio do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), da Fundação Luterana de Diaconia (FDL) e do Ifibe, e tem como painelista Carlos Eduardo Sander, ecologista e radialista; e como debatedora Ana Carolina Tres, advogada das ocupações urbanas de Passo Fundo. A atividade será transmitida ao vivo pelo canal do youtube ‘Grupo Terra e Vida’.

Projeto

O Projeto Tecnologias Apropriadas do Grupo Terra e Vida é construído coletivamente com movimentos sociais, sindicais, pastorais e universidades. O seu objetivo principal é resgatar a dignidade das 50 famílias, oriundas das regiões Norte, Serrana, Centro e Alto Uruguai, que hoje vivem no Acampamento Terra e Vida, além de despertar na população passo-fundense a consciência na busca pela construção da agroecologia.

De acordo com Braga, o projeto surgiu porque as famílias já desenvolvem experiências de produção agroecológica no acampamento. A partir de uma oficina de extratos fermentados, que contêm plantas espontâneas para substituir os venenos na agricultura, a ideia foi transferida para o papel. “A prioridade é construir espaços de produção de alimentos saudáveis para a subsistência das famílias acampadas. O que sobrar será destinado à classe trabalhadora”, acrescenta.

As ações do projeto serão baseadas em atividades que gerem consciência, renda, solidariedade e produção agroecológica, a fim de mudar o modelo de desenvolvimento da agricultura. Entre elas estão a construção de uma horta de dez mil metros quadrados e a realização de oficinas com as temáticas do Aquífero Guarani e Reforma Agrária Popular, além do Lançamento da Feira Agroecológica Terra e Vida.

Acampamento Terra e Vida

O Acampamento Terra e Vida é fruto de uma ocupação realizada em 2014 pelo MST nas terras do advogado Maurício Dal Agnol, que durante 15 anos aplicou um golpe milionário em cerca de 30 mil clientes que venceram ações judiciais contra empresas telefônicas no estado. Hoje, os acampados vivem num espaço de 6 hectares, mas eles têm o controle de mais 90 hectares — 30% desta área é composta de mata nativa. Eles cobram a desapropriação da fazenda de 350 hectares para a Reforma Agrária.

Dal Agnol deve mais de R$ 31 milhões à Fazenda Nacional e tem todos os seus bens bloqueados pela justiça. Conforme o Ministério Público, ele teria lucrado mais de R$ 100 milhões nas defesas — em algumas situações os seus clientes ganhavam entre R$ 300 a R$ 400 mil. O advogado foi acusado de se apropriar de 90% do valor.

Na Expointer, MST comercializa produtos na ‘ilha dos orgânicos’

Os alimentos orgânicos da Reforma Agrária no Rio Grande do Sul poderão ser adquiridos de 26 de agosto a 3 de setembro na 19ª Feira da Agricultura Familiar, que acontece na 40ª Exposição Internacional de Animais, Máquinas, Implementos e Produtos Agropecuários (Expointer). O evento é realizado anualmente no Parque de Exposições Assis Brasil, localizado no município de Esteio, na região Metropolitana de Porto Alegre.

O Pavilhão da Agricultura Familiar vai contar com 198 expositores, entre Via Campesina, Federação Nacional dos Trabalhadores e Trabalhadoras na Agricultura Familiar (Fetraf), Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater) e Federação dos Trabalhadores na Agricultura (Fetag). Os produtos do MST estarão disponíveis em seis estandes da Via Campesina, por meio de três cooperativas e três agroindústrias — Cooperativa de Produtores Orgânicos da Reforma Agrária de Viamão (Coperav), de Viamão; Cooperativa de Produção Agropecuária Nova Santa Rita, de Nova Santa Rita; Cooperativa Agroecológica Nacional terra e Vida (Conaterra), de Candiota; Agroindústria Mãe Natureza, de Pedras Altas; Agroindústria Zatti, de Nova Santa Rita; e Agroindústria Camargo, de Viamão. Destas, três cooperativas — Coperav , Conaterra e Coopan — terão suas estruturas montadas na ‘ilha dos produtos orgânicos’, um espaço que terá 14 expositores na região central do pavilhão.

Conforme o presidente da Cooperativa Central dos Assentamentos do Rio Grande do Sul (Coceargs), Adelar Pretto, o MST comercializa a produção dos assentamentos da Reforma Agrária na Feira da Agricultura Familiar há 19 anos, a partir de uma iniciativa do ex-governador Olívio Dutra junto ao movimentos ligados ao campo. ““A Expointer até então era um mero espaço dos fazendeiros e do agronegócio. Olívio foi eleito em 1998, e no segundo ano do seu mandato nós iniciamos o Pavilhão da Agricultura Familiar, que hoje é o espaço mais visitado na Expointer. Lá temos produtos orgânicos e de boa qualidade”, argumenta.

Nesta edição, o MST vai comercializar sementes de hortaliças agroecológicas e oito variedades de arroz orgânico — agulhinha branco e integral, parboilizado, preto, rubi, arbóreo, cateto branco e integral, além de farinha orgânica nas opções branca e integral. Também levará à feira queijo, iogurte e bebida láctea, aipim higienizado, kit sopa, couve picada, moranga cabotiá minimamente processada e sucos naturais de maracujá, morango, laranja, amora, abacaxi e couve com limão. Os Sem Terra ainda comercializarão cucas, bolos, bolachas, biscoitos, cupcakes, bolinhos de legumes, palitos salgados e pães. Todos estes alimentos são produzidos por cerca de 500 famílias assentadas. Já na Praça de Alimentação terá almoço típico com arroz carreteiro — será preparado com arroz orgânico —, através da cozinha da Cooperativa dos Trabalhadores Assentados da Região de Porto Alegre (Cootap), de Eldorado do Sul.

Foto: Tiago Giannichini

Psicanalista trabalha a valorização humana e social em áreas da Reforma Agrária

Por Letícia Stasiak
Da Página do MST

Pertti Simula, psicanalista finlandês e autor do livro “Transformação das relações humanas e cooperação”, que foi lançado na última sexta-feira (18) no Rio Grande do Sul, tem como objetivo de trabalho construir relações que não sejam pautadas na lógica capitalista. Por meio do método Conscientia, o autor trabalha com escolas, cooperativas e organizações populares e desafia as pessoas a compreenderem que as relações humanas no mundo em que vivemos hoje se desenvolveram sob os valores do modo de produção capitalista, baseadas na competitividade, no individualismo e na desvalorização do outro.

No RS, Simula iniciou seu trabalho junto à Cooperativa de Produção Agropecuária Nova Santa Rita (Coopan), depois atuou na Escola Estadual Nova Sociedade, ambas no município de Nova Santa Rita, na região Metropolitana de Porto Alegre, seguido do Instituto de Educação Josué de Castro (IEJC), em Veranópolis, na Serra gaúcha, e do Instituto Educar, em Pontão, na região Norte. O psicanalista ainda trabalhou com a Cooperativa de Produção Agropecuária dos Assentados de Charqueadas (Copac), em Charqueadas, na região Metropolitana, e a Cooperativa de Produção Agropecuária Cascata (Cooptar), em Pontão.

Conforme Simula, o intuito do seu trabalho é despertar o crescimento humano, melhorar suas relações e suas capacidades de cooperação nos coletivos do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). É também contribuir em comprometimento, coragem, ética e uma melhor qualidade de vida na luta pela Reforma Agrária Popular e por uma sociedade justa.

Nas escolas, o autor realiza seu trabalho primeiramente com os professores, que captam a metodologia para depois transmitirem aos estudantes em sala de aula. Já nas cooperativas, a metodologia é aplicada a todos os cooperados.  O principal objetivo é que os “educadores e líderes reforcem a consciência das riquezas humanas em cada um e tenham uma compreensão das dificuldades, as quais chamamos de empecilhos”, comenta o autor.

Elizabete Witcel, diretora da Escola Nova Sociedade, a primeira a ser trabalhada por Simula no estado, explica que a instituição hoje é outra, em termos de relações, de crescimento e construção da própria identidade. “Temos um olhar mais integral para a sociedade e a autogestão e a auto-organização são o fio condutor desse trabalho que viemos construindo. A crítica e a cobrança foram deixadas de lado na escola e deram lugar a conversa e a conscientização. Professores e professoras se sentem menos reprimidos e mais libertos depois desse trabalho”, explica.

A periodicidade do trabalho desenvolvido pelo psicanalista varia de acordo com o público e a necessidade. Na primeira etapa, que dura de um a dois dias, a discussão fica em torno do conceito socialista sobre o ser humano. Nas próximas etapas o assunto é aprofundado, são estudados os métodos de valorização humana e valorização coletiva e se aplica o método Conscientia.

A Coopan foi a pioneira a receber o trabalho de Simula no estado gaúcho. Segundo o presidente da cooperativa, Nilvo Bosa, o maior trabalho aconteceu de forma social. “Hoje as pessoas conseguem ser mais felizes, se divertirem mais e se aproximam mais um dos outros. Simula consegue trabalhar a questão coletiva, a organização e os fundamentos do Movimento Sem Terra de uma forma impressionante”, afirma Bosa.

Confira entrevista com Pertti Simula, autor do livro Transformação das relações humanas e cooperação.

Página do MST – Como funciona o método que você trabalha? Ele muda a forma como é feito nas cooperativas e nas escolas?
Pertti Simula – Se trabalha nas cooperativas e nas escolas praticamente da mesma forma, a diferença é o objeto de aplicação. Na escola o primeiro objeto seria os professores, que captam a metodologia para depois transportar aos estudantes na sala de aula. Na cooperativa se tenta fazer todos compreenderem a metodologia.

A primeira compreensão apresentada pela metodologia é a que nós reproduzimos os modos e práticas das relações humanas do capitalismo, que são os que causam os problemas e os tornam crônicos. Por isso, se parte do paradigma de ter que quebrar esses modos e não aceitá-los.

A ideia é que na cooperativa e na escola, o objetivo do educador e da liderança seja sempre reforçar a consciência das riquezas humanas em cada um e ter uma compreensão das nossas dificuldades, que chamamos de empecilhos.

Página do MST – Existe uma periodicidade de acompanhamento?
Simula – Vamos numa cooperativa, discutimos primeiro o conceito socialista sobre o ser humano, os deixamos pensarem, damos exemplos. Esse passo pode durar um dia, ou de preferência dois dias. Depois soltamos o assunto e voltamos alguns meses mais tarde, ou meio ano. Voltamos mais dois dias e aprofundamos o pensamento e já estudamos os métodos de valorização humana e valorização coletivos e aplicamos no sentido mais metodológico. Talvez seja preciso uma terceira ou quarta etapa. Depois de um ano ou dois, pode-se voltar a fazer uma reflexão, ou talvez mudar a dinâmica, focando nos desafios das pessoas logo na segunda etapa.

A periodicidade varia de acordo com o público e suas necessidades. É feita uma pesquisa antes e pergunta-se para todos os principais assuntos que desejam trabalhar. O que recebe mais atenção será o foco do curso.

Página do MST – Quais os resultados desse método?
Simula – Cada vez que se faz uma etapa da atividade, minha opinião é que o coletivo acha que foi mais um passo para frente. Para internalizarmos, conscientizar e cair a ficha, não é um processo simples e curto e não temos pressa. Não queremos chegar ao fim, só queremos seguir no caminho de como ser. As pessoas estão querendo seguir no caminho.

Página do MST – Quanto tempo você demorou para escrever o livro Transformação das relações humanas e cooperação?
Simula – Este é o sétimo livro que estou publicando. Foram quatro livros na Finlândia e três livros na Suécia. Este livro demorou mais do que qualquer outro, foram quase 20 anos para amadurecer. Os dois primeiros livros publiquei até 2000. Depois publiquei na Finlândia, em 2013, um livro com o conteúdo parecido com este. Em 2015 publiquei o mesmo livro na Suécia. O conteúdo é bastante similar, mas o livro aqui do Brasil, em que estamos dentro do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra, posso falar abertamente sobre a questão social e do capitalismo para o socialismo.

Página do MST – Qual o objetivo do livro? Como conseguimos transformar as relações humanas?
Simula – O livro fala como praticar e treinar relações de liderança, cooperação e educação nas casas, nas escolas. Que a igualdade e a solidariedade sejam coisas concretas e diárias.  Seu principal objetivo é fazer com que as pessoas sintam mais amor pela vida e por tudo o que as rodeia, seja a natureza ou o ser humano.

Mais amor significa mais liberdade, mais liberdade significa mais coragem e todos esses sentimentos juntos vão criar no nosso interior uma força de luta para que transformemos essa sociedade capitalista e repressora. Que consigamos reverter uma pressão de baixo para cima e ter coragem e alegria de mudar o mundo capitalista. A luta precisa ser alegre e transformar as pessoas.

 

O MST está entendendo que a visão que temos e que está escrita no livro está de acordo com o materialismo histórico dialético do Marxismo, mesmo que não sejam usadas as mesmas terminologias, mas os conceitos e a compreensão são as mesmas.  Se fazemos a revolução, nossa cabeça não está revolucionada. O MST entende que temos que aprender minimamente a revolução nas nossas cabeças antes de ter a revolução das estruturas, se não vamos cair em outra ditadura.

Confira aqui as fotos do lançamento do livro: https://goo.gl/krRCii

Inauguração de silos e agroindústria vegetal do MST vão gerar mais trabalho e renda no campo

Por Catiana de Medeiros
Da Página do MST

Sonhos coletivos de 147 famílias associadas da Cooperativa de Produção, Trabalho e Integração (Coptil) e assentadas na Reforma Agrária se concretizaram na região da Campanha do Rio Grande do Sul. Depois de mais de dois anos de construção, no último sábado (19) foram inauguradas uma unidade de recebimento, secagem e armazenagem de grãos e uma agroindústria vegetal no Assentamento Conquista da Fronteira, localizado no município de Hulha Negra. O evento contou com as presenças de lideranças do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), do presidente da Assembleia Legislativa, deputado Edegar Pretto, de prefeitos, vereadores e deputados estaduais, além de representantes da Emater/RS-Ascar e da Secretaria Estadual do Desenvolvimento Rural (SDR).

Segundo o diretor administrativo da Coptil, Emerson Francisco Capelesso, a unidade de recebimento, processamento e armazenamento de grãos e a agroindústria vegetal vão possibilitar à cooperativa a inserção de seus alimentos num mercado mais amplo, a partir da industrialização da produção dos assentamentos, especialmente do município de Hulha Negra, onde há 29 áreas da Reforma Agrária. Além disto, vão gerar trabalho e renda para as famílias associadas. “A concretização desses sonhos viabiliza a produção diversificada, a industrialização e a comercialização dessa produção, com geração de emprego e renda para as famílias. Nós poderemos envolver os jovens e mais mulheres nas atividades e, com isto, potencializar o desenvolvimento regional”, acrescenta.

A unidade tem capacidade de receber 32 toneladas por hora e de secar 5 mil sacas por dia, além de armazenar 30 mil sacas de grãos. Capelesso revela que a prioridade é o armazenamento de arroz, milho e trigo para processamento, mas a estrutura também vai armazenar aveia, azevém, linhaça e sorgo. O empreendimento teve financiamento de R$ 1,3 milhão do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e vai gerar inicialmente cinco empregos, mais as vagas temporárias.

Já a agroindústria vegetal teve investimento de R$ 220 mil do Fundo Estadual de Apoio ao Desenvolvimento dos Pequenos Estabelecimentos Rurais (Feaper) e vai garantir neste primeiro momento dez postos permanentes de trabalho. No local serão produzidos doces, conservas, kits sopas, saladas e aipim embalados à vácuo e batata em palito congelada, entre outros alimentos minimamente processados, para serem comercializados via Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE).

Conforme Capelesso, para ampliar sua atuação no mercado institucional, a Coptil já realizou conversas com as Forças Armas e prefeituras de Aceguá e Hulha Negra. Em Candiota, onde mais de 800 famílias vivem em 32 assentamentos, a compra dos produtos da agroindústria vegetal para as escolas do município já está garantida, de acordo com o prefeito Adriano dos Santos. “Os assentamentos são de suma importância principalmente para o desenvolvimento da nossa sede do município, que tem o seu comércio interno e seu varejo fortalecido pelas famílias do campo. Na questão da Coptil, que é nossa parceira, com a agroindústria inaugurada, Candiota já passa a adquirir produtos para a merenda escolar”, destaca.

Porém a cooperativa, que já possui um supermercado desde 1992 nas proximidades da avenida principal de Hulha Negra, quer fortalecer sua atuação no varejo. O objetivo é que os produtos da agroindústria cheguem ao mercado local e regional, uma vez que, segundo Capelesso, 80% dos hortifrutigranjeiros que vão para a mesa dos consumidores da região da Campanha vêm de fora. Entre as apostas está a construção de uma central de distribuição na cidade de Candiota, que deve ser inaugurada no primeiro semestre do próximo ano. “Hoje temos produção, indústria e logística, mas queremos um ponto mais central para organizar a comercialização. Esse empreendimento será importante para que possamos colocar nossos produtos a nível regional e, inclusive, buscar outros mercados fora da região”, argumenta.

Para a dirigente estadual do MST, Salete Carollo, as estruturas inauguradas pela Coptil fazem parte do processo de construção da Reforma Agrária Popular, que estabelece valores de cooperação, solidariedade e partilha, e tem como base a produção diversificada, orgânica e agroecológica de alimentos para a sociedade brasileira. “É fundamental que a produção, o processamento e a comercialização estejam no poder dos próprios camponeses e, neste caso, dos assentamentos. Isto gera autonomia e soberania, e faz com que a renda de fato aconteça de forma muito mais gradativa e saudável para as famílias”, explica.