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Despejo destrói Acampamento Marcelino Chiarelo em Santa Catarina

Faxinal dos Guedes, 29 de novembro de 2017

Texto e fotos por: Juliana Adriano

A madrugada avançava, mas muitos não queriam acreditar que seriam despejados, pois se a justiça já havia afirmado que aquela área de 1.000ha é do INCRA, como a juíza Heloísa Menegotto Prezonato poderia assinar a reintegração de posse a favor dos Prezzotto?! Porém, logo chegou a confirmação de que a cavalaria estava na região. Antes de clarear o dia, o drone da polícia sobrevoava a área. As seis horas da manhã a tropa de choque e a cavalaria da polícia militar avançaram em direção ao acampamento. Os Sem Terra gritavam em coro: “Marcelino Chiarello, aqui estamos nós, falando por você já que calaram sua voz”. “Pátria Livre! Venceremos!”, “MST! A luta é pra valer”. Uma comissão com acampados, dirigentes e advogado do MST foram dialogar com polícia. A ordem era de despejo imediato, sem espaço pra negociar. As famílias somente poderiam retirar os bens pessoais, a Cidasc viria para identificar e transportar os animais maiores, e não aceitaram tratar sobre os 200ha de lavoura plantada. As famílias tinham 15 minutos para começar a retirar as coisas. Enquanto o informe era dado o helicóptero voltou a sobrevoar. O ônibus escolar chegou, uma menina olhou pra sua mãe e disse: “Oh Mãe! Não deu tempo pra avisar pra ele que hoje a gente não vai pra escola né?!”. A mãe abraçou a criança com os olhos cheios de lágrimas, mas não chorou.

 

Ao som do helicóptero, as famílias voltaram pros barracos à organizar o que conseguissem. A tropa de choque avançou em direção ao acampamento. Com os rostos cobertos e as armas nas mãos, entraram enfileirados no acampamento. Foram seguidos apela cavalaria, que do alto, reforçavam a força que pressão das armas expressa. Por fim, seguiram carros e motos dos militares. Mais de 150 policiais entraram no espaço, muitos sem identificação na farda. Andaram agrupados por todo acampamento, depois parte o cercou e parte ficou circulando entre as famílias, pressionado para que agilizassem a saída.

As famílias iam desmontando suas casas, tirando as lonas melhores. Uma grande preocupação era com os animais: “O meu problema é que quando cadastrei minha porca ela tava recém prenha e ela acabou de criar. Será que vão me devolver os filhotes?”. Sem ter a solução e ao olhar a cavalaria em frente ao seu barraco, voltou a dobrar a lona com seu filho.

Em todo acampamento eram mais de 200 porcos, somando as vacas e galinhas passavam de mil animais. Uma senhora dizia: “Eu não tenho como levar a minha vaca, eles não vão tirar o leite dela, minha filha vai ficar sem leite e vaca machucada pelo ubre cheio”. Outro senhor perguntou ao funcionário da Cidasc que anotava numa folha de papel em branco o número de animais: “Vão levar meus porcos pra FEMI em Xanxerê, mas você me garante que vão tratar deles? E eles vão estar seguros”. A resposta que teve foi que recebeu ordem pra levar os animais, que nela nada falava sobre alimentar os bichos e que não podia garantir a segurança. O desespero era gigante, pois o senhor não tinha recursos pra levar seus animais pra outro lugar, cuidou tanto dos bichos e agora saber que passariam fome.

A cavalaria seguia circulando. Uma criança, da altura da sua inocência, tentou com sua mão levantada parar a cavalaria, mas esta seguiu. Eram muitas crianças no acampamento, só as que iam pra escola eram mais de 70, é eram muitas as pequenas. Ajudavam a colocar as coisas nos sacos, a pegar as galinhas soltas. Uma mãe com seu bebê recém-nascido até tentou sorrir enquanto carregaram sua mudança no caminhão, mas o olhar de suas duas filhas não deixava esconder a tristeza.

O desespero maior era o que iria acontecer com as plantas. Na área próxima aos barracos era muita produção: cebola, cenoura, couve, batatinha, mandioca, beterraba, alface, feijão, abobrinha, abóboras, plantas medicinais, etc. Enquanto colhiam o que conseguiam, olhavam no horizonte os 200ha de lavoura de milho e feijão plantados. “Tirando nós daqui é tirar nossa comida. Como vão alimentar nossos filhos?”. “Eu fiz empréstimo plantar a lavoura, tava economizando tudo o que podia no rancho do mês pra poder investir na roça. Agora que eu ia colher e pagar, vão destruir tudo”. “Era meu sonho ter meus bichos e minha lavoura. Viver da terra. Agora tão destruindo tudo e vou ficar só com a dívida”.

Quando chegou perto de meio dia começaram a retirar de dentro da área todos os que não eram acampados: sindicatos, políticos, integrantes do MST que já eram assentados. Não importava se estivessem ajudando as famílias a organizar as coisas nos sacos. Um padre foi empurrado pelo cassetete de um policial para fora da área. Depois disso, passaram a proibir a entrada das famílias que estavam fora do acampamento e chegavam pra retirar suas coisas.

Os policiais foram de barraco por barraco assegurar sua demolição e a retroescavadeira foi derrubando um a um. Caso tivesse algum móvel que a família não tivesse conseguido tirar, fogão a lenha, geladeira, o que fosse, a retroescavadeira mirava bem em meio ao móvel e o esmagava no chão. Assegurando que não tivesse nada que as famílias pudessem recuperar após o despejo. A impotência naquele momento e as lágrimas eram muito fortes. As famílias viram o fruto de seu trabalho ser destruído, mas muitas afirmavam que não iam desistir daquela área, pois a área é pública, do INCRA, e que ainda vai virar um assentamento. Ao ver um barraco rodeado de couve ser demolido, a memória remete a Guerra do Contestado, pois desde aquela época a couve acompanha a resistência cabocla.

Neste momento as famílias estão alojadas no ginásio de esportes do município de Faxinal dos Guedes. Não tem para onde ir, suas casas foram demolidas, muitos animais morreram e tem pouca expectativa de poder colher a lavoura que plantaram.

Em Porto Alegre, Frente Brasil Popular entrega jornal que explica conjuntura política brasileira

Cinquenta mil exemplares de uma edição especial do Brasil de Fato serão distribuídos nesta quarta-feira (13) à população da cidade

Por Catiana de Medeiros

Da Página do MST

Integrantes da Frente Brasil Popular no Rio Grande do Sul entregam nesta quarta-feira (13), na região Metropolitana de Porto Alegre, 50 mil exemplares de uma edição especial do jornal impresso Brasil de Fato que trata sobre a conjuntura política estadual, nacional e internacional. A ação fez parte das atividades previstas na Capital gaúcha no dia em o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva vai ser interrogado pelo juiz Sérgio Moro na sede da Justiça Federal em Curitiba, no Paraná.

Os jornais começaram a ser entregues ainda pela manhã em vários pontos de Porto Alegre onde há intensa circulação de pedestres: Mercado Público, Praça Parobé, Esquina Democrática, Avenida Borges de Medeiros, Parque da Redenção, Praça da Alfândega, Terminal Rodoviário e Estação do Trensurb. Também teve entrega em Novo Hamburgo, São Leopoldo e Canoas. Conforme Danieli Cazarotto, militante da Frente Brasil Popular, o intuito é informar à população o que está acontecendo no país.

“Os problemas que existe hoje na sociedade são remetidos ao Lula e à esquerda, que sofrem uma perseguição histórica e ferrenha dos setores mais conservadores, inclusive por parte do poder Judiciário. O material vem justamente para contrapor esta realidade distorcida e apresentar saídas ao povo, que é quem mais sofre neste contexto”, explica Danieli.

Em 12 páginas, a edição especial do Brasil de Fato traz uma entrevista exclusiva com Lula e reportagens sobre a situação do país na consolidação do golpe que colocou Michel Temer (PMDB) na presidência da República. Com texto intitulado “Um ano de retrocessos”, o material apresenta resultados da gestão do atual governo, como o desmonte de políticas e cortes de investimentos na Educação, Economia, Saúde e Agricultura Familiar.

Ainda traz “as piores medidas e consequências” do governador gaúcho José Ivo Sartori, também do PMDB. Entre elas está o parcelamento de salários do funcionalismo público, privatização e extinção de seis fundações públicas estaduais e aumento da taxa de homicídios dolosos em 62%. Além disto, explica para os leitores as origens da crise na Venezuela.

Feira Regional de Economia Solidária e Agroecologia – FESA, é realizada na Região Centro do Paraná

Com mais variedades e quantidades de alimentos que nas outras edições, a quinta edição da Feira Regional de Economia Solidária e Agroecologia – FESA, que foi realizada no ultimo sábado (02), em Laranjeiras do Sul, região centro do Paraná, superou as expectativas da coordenação.
Além da uma grande exposição de produtos agroecológicos, panificados e artesanatos, o evento também contou com atrações culturais, oficinas temáticas e a troca de sementes e mudas nativas que é uma das principais marcas do evento, onde se semeia a fraternidade e se preserva a biodiversidade.

“Esta edição da FESA confirmou a tendência de crescimento da produção agroecológica na região. Em comparação à edição passada tivemos crescimento no número de famílias feirantes, de municípios representados e de diversidade de produtos. Além disso, foi um espaço muito rico de integração e troca de experiências entre os movimentos sociais do campo, universidades e instituições parceiras, o que reforça a importância da cooperação e articulação em rede para o desenvolvimento territorial”, disse Luis Carlos Costa, da coordenação do Ceagro.

O evento contou com uma grande variedade de sementes e mudas nativas, chegando a 300 variedades, sendo milho, arroz e feijão as espécies mais presentes na feira.

Além disso, o evento surpreendeu a organização com a grande participação de grupos expositores, chegando a 29 grupos, que trouxeram junto 1,3 toneladas de alimentos agroecológicos in natura e pré-processados, mostrando a organização dos produtores, alavancando a agroecologia e levando ao público urbano uma alimentação saudável.

Esses grupos, sendo eles de áreas indígenas, quilombolas, pequenos agricultores e de áreas de acampamentos e assentamentos de reforma agrária, representaram 12 municípios da região. Além de trazerem suas produções trouxeram junto suas culturas, tornando essa feira um evento que vai muito além de apenas comercializações, e sim um ambiente para troca de experiências, convivência, aprendizagem e lazer.

A FESA  que tem como objetivo levar ao centro urbano uma alimentação saudável, mas também mostrar e preservar a biodiversidade, o respeito a natureza, as culturas e seus povos, é  realizada através de uma parceria do Centro de Desenvolvimento Sustentável e Capacitação em Agroecologia (CEAGRO), a Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS) e o Núcleo de Luta camponesa, que conta com um grande apoio dos movimentos sociais do campo, como o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA), além do apoio da prefeitura de Laranjeiras do Sul, EMATER e ENGIE Brasil energia.

No RS, escola do MST incentiva a troca de sementes e mudas crioulas

O objetivo é preservar a produção de famílias assentadas e reassentadas no município de Jóia 

Por Letícia Stasiak

Da Página do MST

Sementes crioulas são símbolo da luta pela segurança e soberania alimentar dos povos, o resgate das suas raízes, cultura e tradição. Elas são protegidas por agricultores familiares, assentados da Reforma Agrária, quilombolas ou indígenas, não agridem o meio ambiente e são consideradas Patrimônio da Humanidade. É por isso que escolas do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) no Rio Grande do Sul, com o intuito de preservá-las, estão promovendo atividades para compartilhar sementes e mudas crioulas.

No último dia 29 de agosto, a Escola Estadual de Ensino Médio Joceli Corrêa, localizada no Assentamento Rondinha, em Jóia, no Noroeste gaúcho, realizou a 2ª Troca de Sementes Crioulas e Mudas. Mais de 250 variedades foram apresentadas e trocadas entre as famílias que prestigiaram o evento e as entidades promotoras – o Coletivo de Mulheres Mãe Terra, do Assentamento Rondinha, a Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater/RS-Ascar) e a própria escola.

Estiveram presentes representantes da Cooperativa Agrícola de Produção, Comercialização e Prestação de Serviços (Coopercampo), de Jóia, da Comissão Pastoral da Terra (CPT), do Núcleo Operacional da Cooperativa de Trabalho em Serviços Técnicos (Coptec) da Região das Missões e da Administração Pública Municipal de Cruz Alta.

A iniciativa surgiu em 2016, a partir da prática frequente de troca de sementes e mudas realizada pelo Coletivo Mãe Terra. A primeira edição oportunizou que a escola recolhesse e reproduzisse duas variedades de milho crioulo e distribuísse entre as famílias assentadas e reassentadas.  Conforme o vice-diretor da instituição, Adilio Perin, desde então surgiram muitos projetos. “Educandos e educadores criaram o “Guardiões Mirins das Sementes Crioulas”, o cultivo da horta e do pomar e também uma pesquisa que visa o resgate das sementes crioulas e a organização de um banco de dados”, acrescenta.

A terceira edição do evento já está confirmada para 2018. Segundo Perin, a proposta é fazer um almoço com produtos crioulos para atrair mais participantes. “Nossa meta é atingir mais de 300 variedades de sementes e mudas, e reforçar a importância da Reforma Agrária Popular e da Soberania Alimentar para toda a sociedade”, argumenta.

I Encontro de Adolescentes Sem Terra da Região Sul do Brasil encerrou nesta quinta-feira

Por: Maria Luiza Francelino

Na manhã desta quinta-feira (31), terminou o I Encontro dos Adolescentes Sem Terra das Áreas de Reforma Agrária da Região Sul do país, que contou com a presença de aproximadamente 100 adolescentes de 12 a 15 anos. A atividadeaconteceu na Escola Latino Americana de Agroecologia (ELAA), localizada no Assentamento Contestado, município da Lapa-PR.

O encontro de quatro dias teve como objetivo discutir a participação e a auto-organização dos estudantes na luta pela educação, pela reforma agrária, inserção na militânciae por um projeto popular para o Brasil.

Para a educadora Geise Back, a sensação era de alegria e de dever e meta cumprida, já que os objetivos que citara no primeiro dia foram alcançados. “O principal objetivo desse encontro é ser um espaço formativo e de debate acerca das perspectivas de inserção e participação na luta desses sujeitos. Esperamos que seja um espaço de formação humana para esses adolescentes, que eles possam voltar para suas áreas e buscar o seu espaço de participação desde as demandas de seus territórios, e que reflitam como podem planejar seu presente e seu futuro dentro da luta”, completou Back.

Na programação além das oficinas de teatro, batucada, dança, colagem, ateliê popular, estêncil, clown e jogos coorporativos, aconteceram três eixos de debates conectados aos temas: Adolescência, Sexualidade e Corpo; Natureza, Ser-Humano e Agroecologia; Coletividade, Cooperação e Auto-organização. Além de diversos outros tempos formativos, como a cogestão do processo organizativo e pedagógico por parte dos participantes.

“A iniciativa do encontro preencheu uma lacuna que existia entre os espaços destinados aos Sem Terrinha e a inserção no Coletivo de Juventude do MST. Para tanto nada mais certeiro que um Encontro de Adolescentes Sem Terra”, disse Back.

No ultimo dia o clima entre os adolescentes era de dever cumprido, e de alivio por terem trazido encaminhamentos de trabalhos e metas em suas bases, metas de luta e aumento da perspectiva e da participação desses sujeitos na luta.

“No primeiro encontro dos adolescentes a gente teve a oportunidade de estar libertando a nossa voz, tendo um acesso há novos aprendizados que foram para nossa faixa etária, são novas experiências que a gente teve, achei bem bacana”, afirma a adolescente assentada Alana Lourenço.

Com a mala carregada de formações e experiências vividas nos últimos dias, hoje os adolescentes retornam aos seus estados pra continuar com a ousadia de pessoas que lutam por um projeto popular.

Na Expointer, sede do governo do estado é alvo de protesto de produtores de leite

Cerca de 300 produtores de leite no Rio Grande do Sul realizaram um protesto nesta quarta-feira (30) na Casa Branca, sede do governo do estado na 40ª Expointer, no município de Esteio, para denunciar o impacto das importações de leite em pó vindo de países vizinhos na cadeia produtiva do setor, a partir de decreto do governador José Ivo Sartori (PMDB). Os manifestantes são ligados à Via Campesina, Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA) e Federação dos Trabalhadores e Trabalhadoras na Agricultura Familiar (Fetraf).

 A insatisfação diante medidas do atual governo foi expressa pelos produtores através do derramamento de litros de leite no pátio da Casa Branca. À tarde, representantes dos movimentos vão se reunir com a Casa Civil e marcar uma audiência com o governador a fim de tratar sobre o assunto. Segundo os manifestantes, a Nestle (suíça) e a Lactalis (francesa) estão entre as empresas multinacionais mais beneficiadas com o decreto 53.059/2016 do governo estadual, que baixou a alíquota do ICMS para importação de 18% para 12%. Se a empresa importadora enviar a matéria-prima para ser industrializada em outro estado a alíquota cai para 4%.

 Os produtores afirmam que a importação gaúcha de leite em pó do Uruguai passou de 27 mil toneladas em 2015 para 50 mil toneladas em 2016, após o decreto. Somente nos primeiros cinco meses do ano o RS já buscou no país vizinho cerca de 15 mil toneladas. Conforme Adelar Pretto, representante da Via Campesina, isto provocou a queda do preço do leite pago pela indústria aos agricultores do estado, que recebem atualmente em torno de R$ 0,90 o litro — R$ 0,90 a menos que exatamente a um ano atrás.

 O que ocorre é a valorização das multinacionais e a desvalorização do produtor e da produção local. Com o decreto, o produtor gaúcho trabalha de graça, porque não recebe da indústria mais que R$ 0,90 o litro de leite. Isto não cobre nem a mão de obra. Também há dificuldade de mercado para despachar a produção, somente na região Sul há 900 toneladas de leite em pó estocado, explica Pretto.

Para solucionar os problemas dos produtores gaúchos, os manifestantes exigem providências do governador Sartori, como a suspensão definitiva do decreto 53.059/2016, que estimula a importação, e negociação com o governo federal para que os estoques de leite em pó das cooperativas do estado sejam adquiridos via Companhia Nacional do Abastecimento (Conab). Além disto, cobram criação de cotas para importação, reparos dos prejuízos oriundos do decreto e incentivos para fortalecer a atividade leiteira no estado.

Desistência

Segundo a Emater, atualmente 94% dos municípios gaúchos contam com alguma produção leiteira. No estado há 100 mil agricultores produzindo leite para a venda, sendo que, destes, 85 mil sãconsiderados reféns da indústria, ou seja, vendem somente para ela. O MST tem 4,5 mil famílias inseridas na atividade leiteira para industrialização nas regiões Sul e Norte do estado. De acordo com o Sistema Integrado de Gestão Rural dos Assentamentos (Sigra), em 2016 as áreas da Reforma Agrária produziram mais de 80 milhões de litros de leite para a indústria. Já o MPA tem cerca de 5 mil produtores envolvidos na comercialização de leite, e a Fetraf 20 mil.

 Contudo, conforme os manifestantes, muitas famílias já pensam em desistir da produção para venda em função da grande entrada no estado de leite uruguaio. De acordo com levantamento realizado pela Emater, em torno de 1 mil produtores do Vale do Taquari já deixaram a atividade por conta das consequências dos decretos.

Agricultores familiares pedem a extinção imediata de decretos que prejudicam a produção de leite no RS

Por Leandro Molina

Pequenos agricultores, gestores municipais, dirigentes de cooperativas, de sindicatos rurais, movimentos sociais, deputados estaduais e federais cobram soluções à crise do leite no Rio Grande do Sul e pedem a extinção imediata do decreto do governo estadual de junho do ano passado que baixou a alíquota do ICMS de 18% para 12%, para importação de leite. Os impactos das importações de leite em pó vindo do Uruguai na cadeia produtiva do setor no estado foi tema de um encontro que lotou a Casa da Assembleia na Expointer, em Esteio, na manhã desta quarta-feira (30).

Organizado pela presidência da Assembleia Legislativa, o encontro propôs discutir alternativas às medidas do governo estadual que vem estimulando a importação do produto e colocando em risco a economia das pequenas localidades e dos próprios produtores. Somente em 2016 o RS deixou de arrecadar cerca de R$ 126 milhões em impostos. O presidente da Assembleia, deputado Edegar Pretto (PT), diz que trata-se de uma concorrência desleal, pois tem como resultado a forte queda do preço pago pela indústria aos produtores. Hoje, o preço do litro de leite pago pela indústria aos agricultores no estado este entre R$ 0,80 e R$ 0,90. “O Estado perde, há um aumento dos estoques nas cooperativas, o pequeno produtor é obrigado a baixar seu preço para a indústria e as grandes empresas, principalmente as multinacionais, é que se tornam as únicas beneficiadas”, avalia.

O RS responde pelo maior volume de leite importado. Passou de 27 mil toneladas em 2015 para 50 mil toneladas em 2016. Somente nos primeiros cinco meses do ano o estado já buscou no país vizinho cerca de 15 mil toneladas. As maiores importadoras são empresas multinacionais como Conaprole (cooperativa uruguaia), a suíça Nestle e Lactalis (holandesa).

A preocupação do presidente Edegar Pretto é de que o estado caminha para a inviabilização da sua produção, fazendo com os pequenos e médios produtores larguem a atividade, como já acontece na Região do Vale do Taquari, que segundo levantamento realizado pela Emater/Ascar indica que algo em torno de mil produtores já deixaram a atividade por conta da entrada de leite uruguaio no estado. Pretto reforçou que é preciso um caminho para solucionar o problema e acabar com a angústia das famílias que vivem da produção de leite. Disse que uma parte importante da economia do estado está sendo deixada de lado em benefício das grandes empresas. “Trabalhadores e trabalhadoras rurais levaram anos para organizar a cadeia produtiva, e agora o leite uruguaio encontra uma porta aberta no estado prejudicando a economia e as famílias que vivem da produção”, observou.

Representantes de entidades ligadas à agricultura familiar avaliam que a cadeia produtiva do leite será comandada só por empresas multinacionais se persistir a crise estabelecida pela falta de políticas públicas dos governos estadual e federal. Um dos dirigentes do Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA), Frei Sérgio Görgen, diz que o sistema de importação é na verdade uma triangulação de grandes empresas que trabalham com leite internacional e deixam os pequenos produtores nesta péssima situação. “Precisamos que sejam tomadas medidas imediatas, como interromper definitivamente os decretos do governo gaúcho que beneficiaram outros países e abrir espaço via programas institucionais da Companhia Nacional de Abastecimento – a Conab, para compra de leite que pode ser usado na merenda escolar e Programa de Aquisição de Alimentos”, exemplificou.

Élio Muller, integrante da Cooperativa do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) de Santana do Livramento – Coperforte, também reivindicou ações do governo do Estado. Ele questionou a falta de visão do governo gaúcho ao impor decretos que trouxeram tantos prejuízos à cadeia produtiva sem levar em conta as necessidades da agricultura familiar. “Somos famílias que precisamos sobreviver e dar sustento aos nossos filhos e filhas”, resumiu.

Ao final, o presidente Edegar Pretto anunciou que solicitou agenda com o governador José Ivo Sartori para tratar do assunto. Na tarde desta quarta-feira, representantes do MST, MPA e Fetraf-RS vão se reunir com o chefe da Casa Civil, Fábio Branco, para acertar a data do encontro com o governador.

Situação do leite no RS

O RS possui um rebanho de 1.427.730 vacas leiteiras e produz 4,6 bilhões de litros por ano, numa média de 12,62 milhões litros/dia. O estado possui 198 mil produtores, sendo que 100 mil produzem para a venda e 90 mil para consumo próprio. Dos 100 mil, 85 mil são “reféns da indústria” e vendem somente para ela. O leite responde por 9% do PIB do RS (números de 2014), sendo que 94% dos municípios contam com alguma produção leiteira. Hoje o RS produz cerca de 60 derivados do leite, mas poderia, com programa, incentivo e acompanhamento técnico, chegar a 300 derivados.

Agroecologia e economia solidária são o fomento para a realização de feira na região centro do Paraná

Por: Jaine Amorin

No próximo sábado (02/09), irá acontecer a 5° edição da Feira Regional de Economia Solidária e Agroecologia (FESA), no município de Laranjeiras do Sul, região centro do Paraná, com a participação de 25 grupos de agroecologia de assentamentos e acampamentos das áreas de Reforma Agrária, além das áreas indígenas e quilombolas.

A feira abrange cerca de onze municípios da região, e traz mais de 200 variedades de produtos a serem comercializados, e média de 300 variedades de sementes crioulas e mudas frutíferas pra a troca. Durante o evento também terá 8 oficinas temáticas realizadas por parceiros e agricultores, além de varias apresentações culturais que acontecerão durante o dia todo.

Para Leonardo Xavier um dos organizadores da FESA, o evento é muito importante no desenvolvimento da agroecologia na região. “A FESA é o principal evento sobre a temática da agroecologia e economia solidária organizado no território da Cantuquiriguaçu-PR”.

A FESA é uma feira já tradicional na região, que tem o objetivo de mostrar a força dos agricultores e a sua organização, assim alavancando a agroecologia, preservando a biodiversidade e levando ao público urbano o acesso a um alimento saudável.

Xavier ressalta ainda a importância de a mesma acontecer nos dias de hoje, em um pais que é o maior consumidor de agrotóxico. “Ações como a FESA vem reforçar que a agricultura camponesa é capaz de produzir alimentos para o povo brasileiro, e ao mesmo tempo cuidar da preservação dos recursos naturais, seja das águas, do solo, das sementes e da biodiversidade.”

A primeira edição da feira aconteceu em maio de 2012, com a participação de cerca de cinco grupos de agroecologia, a segunda ocorreu em abril de 2014 e teve um aumento na participação dos grupos para mais de 10. A terceira edição, em maio de 2015, já contou com mais de 25 grupos e assim mantendo o mesmo número de grupos na quarta edição que ocorreu em maio de 2016.

A quinta edição que esta prestes a acontecer tem a expectativa de manter o mesmo numero de participantes, ou até aumentar este número, mas já com o intuito de continuar crescendo para as próximas edições.

O evento é realizado através de uma parceria do Centro de Desenvolvimento Sustentável e Capacitação em Agroecologia (CEAGRO), a Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS) e o Núcleo de Luta camponesa, que conta com um grande apoio dos movimentos sociais do campo, como o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA), além do apoio da prefeitura de Laranjeiras do Sul, EMATER e ENGIE Brasil energia.

 

Acampamento Maria Rosa do Contestado Comemora Dois anos de agroecologia e resistência

O acampamento Maria Rosa do Contestado, localizado no município de Castro, Paraná, comemora dois anos de ocupação sendo referencia em produção agroecológica no estado.

 Por: Maria Luiza Francelino

A festa de comemoração pelos dois anos do aniversário do acampamento Maria Rosa do Contestado, no município de Castro-PR, ocorreu nesse domingo (27/08), e contou com a presença de pessoas de várias regiões do estado, colaboradores e simpatizantes da luta pela terra, além das 200 famílias que residem no acampamento.

Durante o dia houve feira de sementes crioulas, venda de alimentos, show de prêmios, sem contar com toda a alegria e a fraternidade que ali podia se encontrar. O maior motivo pra comemorar não era a festa em si, mas, o fato das famílias provarem que podem viver na terra de forma agroecológica, saudável e comunitária.

“Da pra viver de forma agroecológica e produzir orgânico, claro que dá. Eu já vivia assim, da terra, mas agora, morando aqui aprendo mais ainda, a responsabilidade é maior, mas tiramos de letra porque não é só eu, são famílias vivendo daqui e produzindo vida saudável, são várias famílias que podem comemorar mais um ano de resistência, a gente tem muito pra comemorar” disse  a acampada Roseli Koralevski.
O acampamento produz aproximadamente três toneladas de alimentos orgânicos, como verduras, hortaliças, grãos e legumes por ano. Sendo, que no ano passado com tanta produção e com as dificuldades de escoamento e comercialização fez com que  sobrasse alimentos, e serviram de  doações para  as escolas de Castro.

Hoje a comunidade conta com Cooperativa dos Trabalhadores da Reforma Agrária Maria Rosa do Contestado (CMRC), para comercialização e auto sustentação das famílias. 

As famílias ainda contam com um projeto que está em construção em parceria com a Incubadora de Empreendimentos Solidários (IESOL) do município de Ponta Grossa, que dá assistência na parte formal e prática na preparação, produção e comercialização de morangos orgânicos.

As estufas para produção da cultura serão todas feitas de bambu e materiais mais resistentes e menos ofensivos a natureza.

“A comunidade além de produzir alimentação saudável, produz alfabetização, formação política e maior participação das famílias”, completa Koralevski.

 

Dois anos de história

A ocupação da área foi em 24 de agosto de 2015, onde cerca de 150 famílias do Movimento Sem Terra entraram na fazenda Capão do Cipó, de propriedade da União, mas que na época estava sendo utilizada ilegalmente pela Fundação ABC, uma empresa de pesquisas filiada as cooperativas Castrolanda, Arapoti e Batavo.

Desde abril de 2014 havia um pedido de reintegração de posse contra a fundação ABC, com multa diária de R$ 20 mil.
Mas somente após a ocupação da área pelo MST, o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA) declarou interesse social para fins de reforma agrária, com o projeto de transformar as terras em assentamento, com referência na produção agroecológica e familiar.

A luta das famílias é diária pela conquista do selo orgânico para seus produtos, assim facilitando a comercialização dos seus alimentos e gerando mais qualidade de vida.

I Encontro dos adolescentes da Região sul inicia na próxima semana

Por: Geani Paula de Souza

Durante os dias 28 á 30 de agosto, na Escola Latina Americana de Agroecologia (ELAA), município da Lapa – PR acontecerá o I encontro dos adolescentes das áreas de Reforma Agrária da região sul do Brasil, com a participação de aproximadamente 140 estudantes das escolas de acampamentos e assentamentos.

O encontro tem por objetivo discutir o lugar dos adolescentes no MST, sua auto-organização e a participação dos mesmos na luta pela educação, Reforma Agrária e por um Projeto Popular para o Brasil.

Para Valter Leite, da coordenação do setor de educação do MST, o encontro surgiu pelo próprio entusiasmo dos adolescentes, pois a partir do 12 anos os adolescentes não iriam mais para o encontro Sem Terrinha, e assim ficava uma lacuna até chegar ao coletivo da juventude.

“Com isto, originou-se a possibilidade de realizar um encontro dos adolescentes com o intuito de oportunizar ambientes formativos que permitam os adolescentes discutirem seu papel na construção do MST. Discutir o lugar dos adolescentes na participação da luta pela Educação, pela Reforma Agrária e por um Projeto Popular para o Brasil”, disse Leite.

O encontro irá proporcionar diferentes ambientes formativos para discutir temas relacionados à agroecologia, cooperação, sexualidades, auto-organização dos estudantes, conjuntura política e educacional, assim como acesso a diferentes oficinas de produção artística e criativa.

“Ambos ambientes formativos estão articulados pelo objetivo de contribuir na elevação cultural, na condição organizativa e na capacidade criativa de lutar e construir a Reforma Agrária Popular e por um projeto societário socialmente justo”, completou Valter.