No RS, escola do MST incentiva a troca de sementes e mudas crioulas

O objetivo é preservar a produção de famílias assentadas e reassentadas no município de Jóia 

Por Letícia Stasiak

Da Página do MST

Sementes crioulas são símbolo da luta pela segurança e soberania alimentar dos povos, o resgate das suas raízes, cultura e tradição. Elas são protegidas por agricultores familiares, assentados da Reforma Agrária, quilombolas ou indígenas, não agridem o meio ambiente e são consideradas Patrimônio da Humanidade. É por isso que escolas do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) no Rio Grande do Sul, com o intuito de preservá-las, estão promovendo atividades para compartilhar sementes e mudas crioulas.

No último dia 29 de agosto, a Escola Estadual de Ensino Médio Joceli Corrêa, localizada no Assentamento Rondinha, em Jóia, no Noroeste gaúcho, realizou a 2ª Troca de Sementes Crioulas e Mudas. Mais de 250 variedades foram apresentadas e trocadas entre as famílias que prestigiaram o evento e as entidades promotoras – o Coletivo de Mulheres Mãe Terra, do Assentamento Rondinha, a Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater/RS-Ascar) e a própria escola.

Estiveram presentes representantes da Cooperativa Agrícola de Produção, Comercialização e Prestação de Serviços (Coopercampo), de Jóia, da Comissão Pastoral da Terra (CPT), do Núcleo Operacional da Cooperativa de Trabalho em Serviços Técnicos (Coptec) da Região das Missões e da Administração Pública Municipal de Cruz Alta.

A iniciativa surgiu em 2016, a partir da prática frequente de troca de sementes e mudas realizada pelo Coletivo Mãe Terra. A primeira edição oportunizou que a escola recolhesse e reproduzisse duas variedades de milho crioulo e distribuísse entre as famílias assentadas e reassentadas.  Conforme o vice-diretor da instituição, Adilio Perin, desde então surgiram muitos projetos. “Educandos e educadores criaram o “Guardiões Mirins das Sementes Crioulas”, o cultivo da horta e do pomar e também uma pesquisa que visa o resgate das sementes crioulas e a organização de um banco de dados”, acrescenta.

A terceira edição do evento já está confirmada para 2018. Segundo Perin, a proposta é fazer um almoço com produtos crioulos para atrair mais participantes. “Nossa meta é atingir mais de 300 variedades de sementes e mudas, e reforçar a importância da Reforma Agrária Popular e da Soberania Alimentar para toda a sociedade”, argumenta.

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